do Gr. photós + páthos

Informação sob controlo (p. 16)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/08/2017

Será que podemos reduzir o jornalismo às suas chefias, elas próprias estabelecidas e mantidas pelos accionistas, quando a profissão tem oficialmente perto de 36 mil praticantes? A seguir à Segunda Guerra Mundial, os jornalistas tinham poderes alargados nos principais títulos da imprensa. Organizados em sociedades de redactores, eles dizem-se «doravante decididos a pôr em causa as estruturas que já não garantem ao público informação simultaneamente segura e completa». A sua determinação em não voltar a ver «prevalecer na imprensa os interesses privados sobre o interesse geral» enfraquece a partir da década de 1980, sob o efeito das transformações que então ocorrem no sector da comunicação: diminuição dos leitores, redução das receitas publicitárias, desenvolvimento do digital, concentrações industriais. À imagem icónica, veiculada pelo cinema, do indivíduo livre que exerce um contra-poder irá opor-se a morna realidade do operário multimédia condenado a fabricar «conteúdo» em função das palavras-chave que estão a dar nas redes sociais.

Serge Halimi e Pierre Rimbet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 117 | II série | Julho de 2016)

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caderno 16 IV

Posted in cadernos by Paulo S. on 23/08/2017

Posted in filosofia by Paulo S. on 17/08/2017

— É verdade, o tempo nunca sobra e, pior ainda, nunca é suficiente; e a culpa é nossa, porque o devoramos, roemo-lo com o contínuo acontecer dos acontecimentos que acontecem.

PIÑERA, Virgilio, O Grande Baro e outras histórias, Selecção e versões Rui Manuel Amaral, Guimarães, Livraria Snob, 2016, p. 53.

Posted in filosofia by Paulo S. on 03/08/2017

— Não é propriamente que não goste de música — explica ele. — A música de Mozart e de Beethoven encanta-me e arrebata-me. É por isso mesmo que não quero ouvi-la. Dissolve o pensamento.

— Eu não te encanto e arrebato?

— Mas não dissolves o pensamento.

— Se eu te dissolvesse o pensamento, já não me querias?

— Queria-te na mesma, mas estupidamente.

TELMO, António, Contos, Lisboa, Aríon Publicações, 1999, p. 45.

Horas de trabalho, família e sono (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/07/2017

[…] quem discute o horário de trabalho, os vários actores que o fazem no palco político, seja de que lado for, não estão eles próprios sujeitos a um trabalho exaustivo, o que reforça a ideia de que aqueles que defendem mais horas de trabalho não sentem no corpo as suas consequências. De igual modo, os actores que intervêm na discussão dedicam-se a um tipo de trabalho destinado a uma elite de ideias, embora desligado do valor do salário, que trabalha com conteúdos que escolheu e lhe dão prazer, enquanto a maioria dos trabalhadores não escolheu, foi escolhido, e maneja física ou mentalmente matérias rotineiras e desgastantes.

Isabel do Carmo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 116 | II série | Junho de 2016)

Roger Garaudy

Posted in filosofia, fotografia by Paulo S. on 23/07/2017

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 13/07/2017

O meramente positivo é desprovido de vida. A negatividade é essencial à vitalidade: «Por conseguinte, algo só é vivo quando contém em si a contradição, e o vivo é justamente essa força de conter e sustentar a contradição em si mesmo.» [Hegel]. Assim, a vivacidade distingue-se da vitalidade ou capacidade da mera vida, à qual falta toda a negatividade. O sobrevivente equivale ao não morto, que é demasiado morto para viver e demasiado vivo para morrer.

HAN, Byung-Chul, Agonie des Eros (2012), A Agonia de Eros, Trad. Miguel Serras Pereira, Lisboa, Relógio D’ Água Editores, 2014, p. 33.

sonhos VII

Posted in filosofia by Paulo S. on 06/07/2017

Em sonhos, recuperamos aquilo que nunca fizemos.

Christa Wolf em Unter den Linden (p. 14)

A fabricação de Marcelo (p. 3)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 28/06/2017

Os jornalistas gostam da postura do novo ocupante do cargo, em gritante contraste com o anterior, dão-lhe a palavra a propósito de tudo, tornam-se espectadores, com câmaras e microfones, de um espectáculo por ele encenado para conquistar «afectos».

Sandra Monteiro em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 115 | II série | Maio de 2016)

Posted in filosofia by Paulo S. on 14/06/2017

[…] perante a profusão de sinais exteriores de felicidade comercial ou capitalista, ficámos inaptos para interpretar outras felicidades, a do silêncio, da inteligência, da simplicidade de vida, da entreajuda, da falta de pressa, do convívio com as crianças e os bichos.

GOMES, Paulo Varela, O Verão de 2012, Lisboa, Tinta-da-china, 2013, p. 34.