do Gr. photós + páthos

Posted in diálogos, sugestões by Paulo S. on 07/01/2016

– Um músico falhado? Um pintor falhado? Um cineasta falhado? Um bailarino falhado?

– Sim, um escritor.

AMARAL, Rui Manuel, polaróide, Lisboa, Língua Morta, 2015, p. 49.

Posted in sugestões by Paulo S. on 01/06/2015


Tv Rural – um febrão que custa a curar

Posted in sugestões by Paulo S. on 24/05/2015

“antimundo”

Posted in sugestões by Paulo S. on 28/10/2013

[…]

a criança na rua abrindo o caixote do lixo

onde alguém sem saber depositou o assombro de um

balão de hélio ainda cheio

 

que se soltou e subiu à laia de lua ao fim da tarde

ao pé de casa

 

a criança pasmou, entristeceu depois

mais tarde lembrou-se: tens de escrever um poema sobre o balão

que voou do lixo e não agarrámos

 

um poema é a coisa mais triste que há

e escrevi

 

MIGUEL-MANSO, Tojo, Lisboa, Relógio D’Água, 2013, pp. 18-19.

 

é possível pensar nos leitores e ao mesmo tempo na venda dos livros?

Posted in sugestões by Paulo S. on 03/06/2013

Ou é incompatível? Terá de se pensar mais num que no outro? (há uma tendência visível em que editoras que se preocupam com o leitor não conseguem obter os resultados de venda das grandes editoras (protegidas dentro de grupos editoriais); eu parto do princípio que seja esse também o seu objctivo, o de vender, mas quando existe uma editora como a &etc já não posso afirmar nada. Em todo o caso, não é este o caminho: http://www.orgialiteraria.org/2013/06/novo-livro-de-herberto-helder-o-que.html

Entre o ter e o ler, há distância.

Antero de Quental, o anjo cansado

Posted in sugestões by Paulo S. on 02/12/2012

[…] como uma rosa que esqueceu o seu nome e já não sabe as palavras de cor.

Emanuel Jorge Botelho in cão celeste, nº 2 (2012), p. 6.

Posted in sugestões, vídeo by Paulo S. on 01/09/2012


Songs: Ohia – Back on Top

Posted in sugestões by Paulo S. on 06/08/2012

Nunca foi bom aluno, mas aprendeu a decifrar palavras numa página, o que o ajudou a desembaraçar-se na vida. Na adolescência, viveu com Suzanne, a sua prima mais velha, e a família que ela constituiu depois de casar, após a morte dos seus pais, a tia Helen e o tio Robert.

Abandonou a escola aos onze ou doze anos e, sem família para o importunar, tornou-se um vadio. Um dia, estava ele a pescar no rio Kootenai, a menos de dois quilómetros da vila, quando avistou debaixo de uns vidoeiros um vagabundo em dificuldades, a fazer o curativo numa perna aleijada. “Vem cá, rapaz”, disse o vagabundo, “Por favor — por favor! Tenho os tendões do joelho cortados e preciso de te dizer um coisa.”

O jovem Robert enrolou o fio e pousou a cana de pesca. Depois subiu a ribanceira e parou a três metros do homem, que estava encostado a uma árvore, de pernas estendidas e descalço, com a perna esquerda pousada sobre um maciço de ervas e os sapatos, muito gastos, pousados ao lado. O homem usava barba, estava sujo de terra e tinha a roupa coberta de detritos florestais. “Estás a olhar para um moribundo”, disse o vagabundo.

“Nem te vou pedir que me tragas um gole de água”, disse o homem. “Estou seco como uma bota, mas como vou morrer, não preciso de favores nenhuns.” Robert estava paralisado. Tinha a sensação de estar diante duma boca que se movia como um buraco por entre uma pilha de folhas e trapos e cabelo castanho desgrenhado. “Só quero dizer uma ou duas coisas, para não as levar comigo para a cova.”

“Bom”, disse ele. “Um tipo a quem chamam o Al Orelhas cortou-me a perna por detrás do joelho. E tenho que dizer isto: eu sei que foi ele quem me matou. Essa é a primeira coisa. Diz isso ao xerife, rapaz. Diz-lhe que William Coswell Haley, de St. Louis, Missouri, foi assaltado por um vadio chamado Al Orelhas, que lhe esfaqueou a perna e o matou. Ele fanou-me um rolo de notas, catorze dólares, enquanto eu estava a dormir, e cortou-me os tendões por detrás do joelho para me impedir de ir atrás dele. A minha perna cheira mal”, disse ele, “porque estou aqui há tanto tempo que ela apodreceu. Não preciso de te dizer o resultado. A podridão vai subir-me pelo corpo acima e deixar-me morto até aos olhos. Até eu ser um cadáver capaz de ver ainda as coisas. Capaz de pensar ainda. E ao quarto dia estarei completamente morto. Não sei o que nos acontece depois disso — se continuamos a pensar debaixo de terra, ou se voamos para o céu, ou se somos entregues ao demónio. Mas pelo sim pelo não, ouve o que tenho para te dizer:

“Chamo-mo William Coswell Haley, tenho quarenta e dois anos. Eu era bom homem, tinha emprego e boas perspectivas em St. Louis, Missouri, até há uns quatro anos. Nessa altura a minha sobrinha Susan Haley fez doze anos e, como eu vivia em casa do meu irmão, comecei a ir ter à cama dela à noite. Não conseguia dormir — era assim, o meu coração só deixava de bater como um doido quando eu me levantava do colchão para ir ter à cama dela e ficar ali muito quieto. Bom, ela nunca acordava. Nem sequer quando, uma vez, fiz barulho com os cobertores. Outra vez, toquei-lhe na cara e ela não acordou, agarrei-lhe um pé e ela nada. Noutra noite, puxei-lhe os cobertores para trás e era como se ela estivesse morta. Toquei-lhe, levantei-lhe a camisa, e fiz todas as coisinhas que me apetecia. Todas as coisinhas. E ela nunca acordou.

“E habituei-me a isso. Todas as noites. Todas as coisinhas. Ela nunca acordou.

“Bom, um dia cheguei a casa — eu trabalhava numa fábrica de velas, porque é uma trabalho fácil e às vezes não aparece mais nada. Eram sobretudo mulheres, na fábrica, mas eles aceitavam qualquer pessoa. Quando cheguei a casa, vi a minha cunhada Alice Haley sentada no chão do pátio, na relva escorregadia. Estava a chover, e ela ali caída, a chorar como um bebé.

«”Que se passa, Alice?”

«”O meu marido levantou um pau contra a minha Susan! Levantou um pau contra a minha filha!”

«”Santo Deus! Magoou-a mesmo?”, perguntei eu. “Ou foi só para a assustar?”

«”Se a magoou?”, gritou ela, “Matou-a! A minha pequenina está morta.”»

“Eu nem cheguei a entrar na casa. Deixei para trás tudo o que tinha, fui para a estação, meti-me num vagão e saí daquela terra. Nunca mais voltei. Tenho andado por toda esta região. E também no Canadá. Mas nunca mais lá voltei.

“A pequena Susan tinha um filho no ventre, foi o que a minha cunhada me contou. E o meu irmão bateu com um pau na barriga da miúda, coitada, para lhe tirar a criança do ventre. Bateu-lhe até a matar.”

O moribundo ficou em silêncio durante alguns minutos. Respirava pesadamente e tinha as mãos pousadas na terra, como se quisesse mudar de posição mas não tivesse forças para isso. Parecia não ter ar nos pulmões, arfava e arquejava. “Agora já aceitava um gole de água” Ele fechou os olhos e deixou de se debater para respirar. Quando Robert se aproximou, convencido de que o homem havia morrido, William Haley disse, sem abrir os olhos: “Traz-ma neste sapato velho.”

JOHNSON, Denis, Train Dreams (2011), Sonhos e Comboios, Trad. José Miguel Silva, Lisboa, Relógio D’Água, 2012, pp. 26-28.

Posted in sugestões by Paulo S. on 26/04/2012

Posted in sugestões by Paulo S. on 08/01/2012

LCD Soundsystem, New York, I Love You but You’re Bringing Me Down (Sound of Silver, 2007)

New York, I love You but you’re bringing me down
New York, I love You but you’re bringing me down
Like a rat in a cage pulling minimum wage
New York, I love You but you’re bringing me down

New York, you’re safer and you’re wasting my time
Our records all show you are filthy but fine
But they shuttered your stores when you opened the doors
To the cops who were bored once they’d run out of crime

New York, you’re perfect, don’t please don’t change a thing
Your mild billionaire mayor’s now convinced he’s a king
So the boring collect – I mean all disrespect
In the neighborhood bars I’d once dreamt I would drink

New York, I love you but you’re freaking me out
There’s a ton of the twist but we’re fresh out of shout
Like a death in the hall that you hear through your wall
New York, I love you but you’re freaking me out

New York, I love You but you’re bringing me down
New York, I love You but you’re bringing me down
Like a death of the heart…Jesus, where do I start
But you’re still the one pool where I’d happily drown

And oh.. Take me off your mailing list
For kids that think it still exists
Yes, for those who think it still exists

Maybe I’m wrong
And maybe you’re right
Maybe I’m wrong
And maybe you’re right
Maybe you’re right
Maybe I’m wrong
And just maybe you’re right

And Oh..
Maybe mother told you true
And they’re always be something there for you
And you’ll never be alone

But maybe she’s wrong
And maybe I’m right
And just maybe she’s wrong

Maybe she’s wrong
And maybe I’m right
And if so here’s this song