do Gr. photós + páthos

Em nome da lei… americana (p. 36)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 26/02/2018

[…] a 29 de Setembro de 2016, o Justice Sponsores of Terrorism Act, aprovado pelo Congresso, que se opôs ao veto do presidente Barack Obama, permitiu que qualquer vítima do terrorismo nos Estados Unidos processasse um Estado directa ou indirectamente ligado a actos da mesma natureza perpetrados em solo americano. A priori, esta lei visava a Arábia Saudita, por não ter controlado os seus cidadãos que cometeram os atentados de 11 de Setembro; mas ela pode conduzir a acções contra qualquer Estado, que é considerado responsável, mesmo que indirectamente, pelos actos dos seus cidadãos. O texto contradiz o princípio de soberania das nações, na medida em que mistura responsabilidade individual e responsabilidade colectiva.

Jean-Michel Quatrepoint em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 123 | II série | Janeiro de 2017)

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O triunfo do estilo paranóico (p.12)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 29/01/2018

Durante muito tempo inscrito nas listas eleitorais como democrata, torna-se republicano apenas em 2009. Durante a sua efémera batalha para a nomeação deste partido em 2012, ele impõem-se como porta-voz dos que contestam a legitimidade do primeiro presidente negro da história americana, alegando que Barack Hussein Obama não teria nascido nos Estados Unidos. O presidente acabou por tornar pública toda a documentação relativa ao seu nascimento, mas as provas fornecidas não foram suficientes para acabar com a polémica alimentada por uma poderosa «indústria do fantasma».

Dinesh D’Souza, nascido na Índia, e naturalizado americano, é um dos ideólogos desta direita obcecada pelos perigos da emigração. Produziu imensos livros e documentários destinados a semear a dúvida sobre a «americanidade», ou mesmo o patriotismo, de Obama.

Ibrahim Warde em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 122 | II série | Dezembro de 2016)

Haiti, a impostura humana (p. 18)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 27/12/2017

Em 12 de Janeiro de 2010, um tremor de terra de magnitude 7 atingiu o Haiti, fazendo mais de 200 mil mortos e 1,5 milhões de desalojados. O impulso mundial de solidariedade ligado à pressão mediática traduziu-se numa torrente de organizações humanitárias, que transformou o Haiti na «república das ONG». Mas o essencial dos 10 mil milhões de dólares (cerca de 7,2 mil milhões de euros) prometidos nunca chegou: o montante misturava empréstimos, somas já orçamentadas, anulações de dívidas e promessas de donativos (nem sempre mantidas). A ajuda transformou-se num mercado.

Frédéric Thomas em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 121 | II série | Novembro de 2016)

Os incêndios florestais, mais uma vez (p.10)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 26/11/2017

Incêndios florestais — uma designação vulgar, mas pouco correcta. Na verdade, entre cerca de metade a dois terços das áreas ardidas são de matos, e só o restante é de povoamento florestais. Portanto, mais correcto é falarmos de incêndios rurais.

Victor Louro em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 120 | II série | Outubro de 2016)

«Encantar a realidade vulgar» (p. 38)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 31/10/2017

[…] o tag, a forma mais elementar do grafito. Ironia da história, é o neto do fundador de um dos primeiros bancos de investimento americanos, o Lehman Brothers, Phillippe Lehman, conhecido como Bando, que importa para França estas assinaturas rudes e sumarias escritas nas paredes, no metro, nos comboios nova-iorquinos por jovens urbanos desfavorecidos.

Phillippe Pataud Célérier em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 119 | II série | Setembro de 2016)

As sementes do futuro na luta contra o petróleo em Portugal (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 29/09/2017

Existem quinze concessões para exploração de hidrocarbonetos — gás e petróleo — no território continental de Portugal. As concessões estão espalhadas por todo o país abaixo da Figueira da Foz, correndo todo o litoral, em terra e no mar. Este processo de concessão iniciou-se em 2007 quando Manuel Pinho, então ministro da Economia, entregou quatro concessões no mar de Peniche (Amêijoa, Camarão, Mexilhão e Ostra); e três concessões no mar do Alentejo (Gamba, Lavagante e Santola). Um processo que se destaca pelo rocambolesco dos seus componentes começava: os nomes das espécies ameaçadas pela exploração de petróleo e gás eram exactamente os nomes das concessões.

João Camargo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 118 | II série | Agosto de 2016)

Informação sob controlo (p. 16)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 30/08/2017

Será que podemos reduzir o jornalismo às suas chefias, elas próprias estabelecidas e mantidas pelos accionistas, quando a profissão tem oficialmente perto de 36 mil praticantes? A seguir à Segunda Guerra Mundial, os jornalistas tinham poderes alargados nos principais títulos da imprensa. Organizados em sociedades de redactores, eles dizem-se «doravante decididos a pôr em causa as estruturas que já não garantem ao público informação simultaneamente segura e completa». A sua determinação em não voltar a ver «prevalecer na imprensa os interesses privados sobre o interesse geral» enfraquece a partir da década de 1980, sob o efeito das transformações que então ocorrem no sector da comunicação: diminuição dos leitores, redução das receitas publicitárias, desenvolvimento do digital, concentrações industriais. À imagem icónica, veiculada pelo cinema, do indivíduo livre que exerce um contra-poder irá opor-se a morna realidade do operário multimédia condenado a fabricar «conteúdo» em função das palavras-chave que estão a dar nas redes sociais.

Serge Halimi e Pierre Rimbet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 117 | II série | Julho de 2016)

Horas de trabalho, família e sono (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 30/07/2017

[…] quem discute o horário de trabalho, os vários actores que o fazem no palco político, seja de que lado for, não estão eles próprios sujeitos a um trabalho exaustivo, o que reforça a ideia de que aqueles que defendem mais horas de trabalho não sentem no corpo as suas consequências. De igual modo, os actores que intervêm na discussão dedicam-se a um tipo de trabalho destinado a uma elite de ideias, embora desligado do valor do salário, que trabalha com conteúdos que escolheu e lhe dão prazer, enquanto a maioria dos trabalhadores não escolheu, foi escolhido, e maneja física ou mentalmente matérias rotineiras e desgastantes.

Isabel do Carmo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 116 | II série | Junho de 2016)

A fabricação de Marcelo (p. 3)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 28/06/2017

Os jornalistas gostam da postura do novo ocupante do cargo, em gritante contraste com o anterior, dão-lhe a palavra a propósito de tudo, tornam-se espectadores, com câmaras e microfones, de um espectáculo por ele encenado para conquistar «afectos».

Sandra Monteiro em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 115 | II série | Maio de 2016)

Gentrificação e turistificação: o caso do Bairro Alto em Lisboa (p.7)

Posted in Le Monde diplomatique by S. Paulo on 25/05/2017

A dinâmica imobiliária apropria-se dos valores do local desenvolvendo um marketing que enfatiza valores como a história da área e a possibilidade de se viver durante a estadia num bairro tradicional juntamente com a população local, ao mesmo tempo que favorece o desaparecimento desta mesma população.

Fabiana Pavel em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 114 | II série | Abril de 2016)