do Gr. photós + páthos

«Encantar a realidade vulgar» (p. 38)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 31/10/2017

[…] o tag, a forma mais elementar do grafito. Ironia da história, é o neto do fundador de um dos primeiros bancos de investimento americanos, o Lehman Brothers, Phillippe Lehman, conhecido como Bando, que importa para França estas assinaturas rudes e sumarias escritas nas paredes, no metro, nos comboios nova-iorquinos por jovens urbanos desfavorecidos.

Phillippe Pataud Célérier em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 119 | II série | Setembro de 2016)

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As sementes do futuro na luta contra o petróleo em Portugal (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/09/2017

Existem quinze concessões para exploração de hidrocarbonetos — gás e petróleo — no território continental de Portugal. As concessões estão espalhadas por todo o país abaixo da Figueira da Foz, correndo todo o litoral, em terra e no mar. Este processo de concessão iniciou-se em 2007 quando Manuel Pinho, então ministro da Economia, entregou quatro concessões no mar de Peniche (Amêijoa, Camarão, Mexilhão e Ostra); e três concessões no mar do Alentejo (Gamba, Lavagante e Santola). Um processo que se destaca pelo rocambolesco dos seus componentes começava: os nomes das espécies ameaçadas pela exploração de petróleo e gás eram exactamente os nomes das concessões.

João Camargo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 118 | II série | Agosto de 2016)

Informação sob controlo (p. 16)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/08/2017

Será que podemos reduzir o jornalismo às suas chefias, elas próprias estabelecidas e mantidas pelos accionistas, quando a profissão tem oficialmente perto de 36 mil praticantes? A seguir à Segunda Guerra Mundial, os jornalistas tinham poderes alargados nos principais títulos da imprensa. Organizados em sociedades de redactores, eles dizem-se «doravante decididos a pôr em causa as estruturas que já não garantem ao público informação simultaneamente segura e completa». A sua determinação em não voltar a ver «prevalecer na imprensa os interesses privados sobre o interesse geral» enfraquece a partir da década de 1980, sob o efeito das transformações que então ocorrem no sector da comunicação: diminuição dos leitores, redução das receitas publicitárias, desenvolvimento do digital, concentrações industriais. À imagem icónica, veiculada pelo cinema, do indivíduo livre que exerce um contra-poder irá opor-se a morna realidade do operário multimédia condenado a fabricar «conteúdo» em função das palavras-chave que estão a dar nas redes sociais.

Serge Halimi e Pierre Rimbet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 117 | II série | Julho de 2016)

Horas de trabalho, família e sono (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/07/2017

[…] quem discute o horário de trabalho, os vários actores que o fazem no palco político, seja de que lado for, não estão eles próprios sujeitos a um trabalho exaustivo, o que reforça a ideia de que aqueles que defendem mais horas de trabalho não sentem no corpo as suas consequências. De igual modo, os actores que intervêm na discussão dedicam-se a um tipo de trabalho destinado a uma elite de ideias, embora desligado do valor do salário, que trabalha com conteúdos que escolheu e lhe dão prazer, enquanto a maioria dos trabalhadores não escolheu, foi escolhido, e maneja física ou mentalmente matérias rotineiras e desgastantes.

Isabel do Carmo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 116 | II série | Junho de 2016)

A fabricação de Marcelo (p. 3)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 28/06/2017

Os jornalistas gostam da postura do novo ocupante do cargo, em gritante contraste com o anterior, dão-lhe a palavra a propósito de tudo, tornam-se espectadores, com câmaras e microfones, de um espectáculo por ele encenado para conquistar «afectos».

Sandra Monteiro em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 115 | II série | Maio de 2016)

Gentrificação e turistificação: o caso do Bairro Alto em Lisboa (p.7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 25/05/2017

A dinâmica imobiliária apropria-se dos valores do local desenvolvendo um marketing que enfatiza valores como a história da área e a possibilidade de se viver durante a estadia num bairro tradicional juntamente com a população local, ao mesmo tempo que favorece o desaparecimento desta mesma população.

Fabiana Pavel em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 114 | II série | Abril de 2016)

A fabricação do consentimento: discurso jornalístico sobre a crise em Portugal (p. 14)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/04/2017

Esta história é simples, apela a valores e sentimentos embutidos na cultura religiosa, ao senso comum da economia doméstica. É eficaz na legitimação do programa, mesmo quando parece criticá-lo.

Há uma evolução das crenças por detrás da flutuação da opinião dos jornalistas, entre o aplauso incondicional ao programa, no início, à crítica depois, e, por fim, o que parece por vezes mesmo protesto indignado? Nem por isso. O ajustamento é defendido sempre. Mesmo quando é criticado. Se corre mal e há quem proteste, é preciso usar as palavras da indignação, se preciso for, desdizer o que foi dito para proteger o que mais importa. Se falha, é porque o governo vacila, fraqueja face a interesses instalados. Aplica mal. É mesmo possível que, no detalhe, o programa tenha sido mal desenhado. Em desespero, dir-se-á: isto é mau, mas ainda assim preferível à alternativa.

José Castro Caldas e João Ramos de Almeida em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 113 | II série | Março de 2016)

Saúde, eficiência e direito à energia: pistas para uma mobilização (p. 7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/03/2017

A definição inglesa de pobreza energética abrange famílias com altas «despesas teóricas», isto é, que teriam de gastar mais de 10% dos seus rendimentos para atingir os níveis de conforto definidos pela OMS. Estudos actuais colocam 92%  das famílias portuguesas em situação de pobreza energética, segundo esta definição.

Lise Desvallées em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 112 | II série | Fevereiro de 2016)

A caminho de um estado de excepção permanente (p. 22)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 26/02/2017

Nice, 19 de Novembro de 2015, 4h30 da manhã. Homens de uma unidade de elite da polícia fazem explodir a porta do apartamento de um casal de tunisinos; os estilhaços ferem na cabeça e no pescoço a sua filha de 6 anos de idade. Os homens abandonam o lugar de mãos a abanar: enganaram-se no endereço. Em 21 de Novembro, às 20h30, em Saint-Ouen-l’Aumône, um grupo de polícias com farda de intervenção invade a sala do restaurante halal Pepper Grill. Ordenam aos clientes que estão a jantar tranquilamente que coloquem as mãos em cima das mesas. Na cave, os polícias forçam as portas diante do patrão que lhes sugere, em vão, que usem a maçaneta. Em 22 de Novembro, pouco antes da meia-noite, em Seine-Saint-Denis, a polícia arromba a porta de um homem convertido ao islamismo, que usa barba, devassa-lhe o apartamento e parte sem qualquer explicação.

No dia 24, em Dorgogne, de madrugada, fizeram uma perseguição a um casal de agricultores biológicos libertários, suspeitos por terem participado há três anos numa manifestação contra o projecto do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes. O acórdão indica que «há sérias razões para pensar que podem encontrar-se nos locais pessoas, armas ou objectos susceptíveis de estar ligados a actividades relacionadas com o terrorismo». A 8 de Dezembro, o ministro do Interior, reconhecendo que foi um «equívoco» revoga o acórdão que mantinha em prisão domiciliária um pai de família desde 15 de Novembro: denunciado por motivos fantasiosos pelo seu antigo empregador, director de uma estação de tratamento de águas em AIx-en-Provence, o homem tinha de se apresentar quatro vezes por dia no comissariado. «Quem é este barbudo?», inquietaram-se os polícias durante as buscas, perante uma gravura representando… Leonardo da Vinci.

Jean-Jacques Gandini em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 111 | II série | Janeiro de 2016)

Delatores em pantufas (p. 39)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 31/01/2017

No Reino Unido, a empresa Internet Eyes lançou, em 2009, uma iniciativa idêntica, proposta como uma espécie de jogo aberto a todos os internautas. Também neste caso, o objectivo é vigiar lojas e ruas, identificando eventuais infracções. Para participar e aderir à rede, os voluntários têm de pagar uma pequena taxa mensal. Uma vez verificada a sua identidade, têm acesso às imagens de quatro câmaras de vigilância que são exibidas no seu computador.

Sentados no sofá, os aderentes observam em directo através do olho das câmaras. Se detectam um roubo, uma agressão, um comportamento suspeito, clicam num botão de alerta. A imagem fica então parada e eles podem ampliá-la para verificar. Em seguida, o gerente da loja recebe uma mensagem com a imagem captada. Se ele considerar este alerta útil, são creditados ao internauta delator três pontos. Se ele pensar que o alerta foi justificado, mesmo que afinal não tenha havido infracção, o internauta recebe um ponto. Em contrapartida , se o comerciante considerar o alerta injustificado, o «vigilante» perde pontos. No fim de cada mês, a Internet Eyes promete ao espião que tiver detectado mais fraudes ou roubos uma recompensa que pode ir até às 1000 libras esterlinas…

Ignacio Ramonet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 110 | II série | Dezembro de 2015)