do Gr. photós + páthos

O triunfo do estilo paranóico (p.12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/01/2018

Durante muito tempo inscrito nas listas eleitorais como democrata, torna-se republicano apenas em 2009. Durante a sua efémera batalha para a nomeação deste partido em 2012, ele impõem-se como porta-voz dos que contestam a legitimidade do primeiro presidente negro da história americana, alegando que Barack Hussein Obama não teria nascido nos Estados Unidos. O presidente acabou por tornar pública toda a documentação relativa ao seu nascimento, mas as provas fornecidas não foram suficientes para acabar com a polémica alimentada por uma poderosa «indústria do fantasma».

Dinesh D’Souza, nascido na Índia, e naturalizado americano, é um dos ideólogos desta direita obcecada pelos perigos da emigração. Produziu imensos livros e documentários destinados a semear a dúvida sobre a «americanidade», ou mesmo o patriotismo, de Obama.

Ibrahim Warde em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 122 | II série | Dezembro de 2016)

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Haiti, a impostura humana (p. 18)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 27/12/2017

Em 12 de Janeiro de 2010, um tremor de terra de magnitude 7 atingiu o Haiti, fazendo mais de 200 mil mortos e 1,5 milhões de desalojados. O impulso mundial de solidariedade ligado à pressão mediática traduziu-se numa torrente de organizações humanitárias, que transformou o Haiti na «república das ONG». Mas o essencial dos 10 mil milhões de dólares (cerca de 7,2 mil milhões de euros) prometidos nunca chegou: o montante misturava empréstimos, somas já orçamentadas, anulações de dívidas e promessas de donativos (nem sempre mantidas). A ajuda transformou-se num mercado.

Frédéric Thomas em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 121 | II série | Novembro de 2016)

Os incêndios florestais, mais uma vez (p.10)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 26/11/2017

Incêndios florestais — uma designação vulgar, mas pouco correcta. Na verdade, entre cerca de metade a dois terços das áreas ardidas são de matos, e só o restante é de povoamento florestais. Portanto, mais correcto é falarmos de incêndios rurais.

Victor Louro em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 120 | II série | Outubro de 2016)

«Encantar a realidade vulgar» (p. 38)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 31/10/2017

[…] o tag, a forma mais elementar do grafito. Ironia da história, é o neto do fundador de um dos primeiros bancos de investimento americanos, o Lehman Brothers, Phillippe Lehman, conhecido como Bando, que importa para França estas assinaturas rudes e sumarias escritas nas paredes, no metro, nos comboios nova-iorquinos por jovens urbanos desfavorecidos.

Phillippe Pataud Célérier em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 119 | II série | Setembro de 2016)

As sementes do futuro na luta contra o petróleo em Portugal (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/09/2017

Existem quinze concessões para exploração de hidrocarbonetos — gás e petróleo — no território continental de Portugal. As concessões estão espalhadas por todo o país abaixo da Figueira da Foz, correndo todo o litoral, em terra e no mar. Este processo de concessão iniciou-se em 2007 quando Manuel Pinho, então ministro da Economia, entregou quatro concessões no mar de Peniche (Amêijoa, Camarão, Mexilhão e Ostra); e três concessões no mar do Alentejo (Gamba, Lavagante e Santola). Um processo que se destaca pelo rocambolesco dos seus componentes começava: os nomes das espécies ameaçadas pela exploração de petróleo e gás eram exactamente os nomes das concessões.

João Camargo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 118 | II série | Agosto de 2016)

Informação sob controlo (p. 16)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/08/2017

Será que podemos reduzir o jornalismo às suas chefias, elas próprias estabelecidas e mantidas pelos accionistas, quando a profissão tem oficialmente perto de 36 mil praticantes? A seguir à Segunda Guerra Mundial, os jornalistas tinham poderes alargados nos principais títulos da imprensa. Organizados em sociedades de redactores, eles dizem-se «doravante decididos a pôr em causa as estruturas que já não garantem ao público informação simultaneamente segura e completa». A sua determinação em não voltar a ver «prevalecer na imprensa os interesses privados sobre o interesse geral» enfraquece a partir da década de 1980, sob o efeito das transformações que então ocorrem no sector da comunicação: diminuição dos leitores, redução das receitas publicitárias, desenvolvimento do digital, concentrações industriais. À imagem icónica, veiculada pelo cinema, do indivíduo livre que exerce um contra-poder irá opor-se a morna realidade do operário multimédia condenado a fabricar «conteúdo» em função das palavras-chave que estão a dar nas redes sociais.

Serge Halimi e Pierre Rimbet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 117 | II série | Julho de 2016)

Horas de trabalho, família e sono (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/07/2017

[…] quem discute o horário de trabalho, os vários actores que o fazem no palco político, seja de que lado for, não estão eles próprios sujeitos a um trabalho exaustivo, o que reforça a ideia de que aqueles que defendem mais horas de trabalho não sentem no corpo as suas consequências. De igual modo, os actores que intervêm na discussão dedicam-se a um tipo de trabalho destinado a uma elite de ideias, embora desligado do valor do salário, que trabalha com conteúdos que escolheu e lhe dão prazer, enquanto a maioria dos trabalhadores não escolheu, foi escolhido, e maneja física ou mentalmente matérias rotineiras e desgastantes.

Isabel do Carmo em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 116 | II série | Junho de 2016)

A fabricação de Marcelo (p. 3)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 28/06/2017

Os jornalistas gostam da postura do novo ocupante do cargo, em gritante contraste com o anterior, dão-lhe a palavra a propósito de tudo, tornam-se espectadores, com câmaras e microfones, de um espectáculo por ele encenado para conquistar «afectos».

Sandra Monteiro em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 115 | II série | Maio de 2016)

Gentrificação e turistificação: o caso do Bairro Alto em Lisboa (p.7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 25/05/2017

A dinâmica imobiliária apropria-se dos valores do local desenvolvendo um marketing que enfatiza valores como a história da área e a possibilidade de se viver durante a estadia num bairro tradicional juntamente com a população local, ao mesmo tempo que favorece o desaparecimento desta mesma população.

Fabiana Pavel em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 114 | II série | Abril de 2016)

A fabricação do consentimento: discurso jornalístico sobre a crise em Portugal (p. 14)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/04/2017

Esta história é simples, apela a valores e sentimentos embutidos na cultura religiosa, ao senso comum da economia doméstica. É eficaz na legitimação do programa, mesmo quando parece criticá-lo.

Há uma evolução das crenças por detrás da flutuação da opinião dos jornalistas, entre o aplauso incondicional ao programa, no início, à crítica depois, e, por fim, o que parece por vezes mesmo protesto indignado? Nem por isso. O ajustamento é defendido sempre. Mesmo quando é criticado. Se corre mal e há quem proteste, é preciso usar as palavras da indignação, se preciso for, desdizer o que foi dito para proteger o que mais importa. Se falha, é porque o governo vacila, fraqueja face a interesses instalados. Aplica mal. É mesmo possível que, no detalhe, o programa tenha sido mal desenhado. Em desespero, dir-se-á: isto é mau, mas ainda assim preferível à alternativa.

José Castro Caldas e João Ramos de Almeida em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 113 | II série | Março de 2016)