do Gr. photós + páthos

Gentrificação e turistificação: o caso do Bairro Alto em Lisboa (p.7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 25/05/2017

A dinâmica imobiliária apropria-se dos valores do local desenvolvendo um marketing que enfatiza valores como a história da área e a possibilidade de se viver durante a estadia num bairro tradicional juntamente com a população local, ao mesmo tempo que favorece o desaparecimento desta mesma população.

Fabiana Pavel em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 114 | II série | Abril de 2016)

A fabricação do consentimento: discurso jornalístico sobre a crise em Portugal (p. 14)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/04/2017

Esta história é simples, apela a valores e sentimentos embutidos na cultura religiosa, ao senso comum da economia doméstica. É eficaz na legitimação do programa, mesmo quando parece criticá-lo.

Há uma evolução das crenças por detrás da flutuação da opinião dos jornalistas, entre o aplauso incondicional ao programa, no início, à crítica depois, e, por fim, o que parece por vezes mesmo protesto indignado? Nem por isso. O ajustamento é defendido sempre. Mesmo quando é criticado. Se corre mal e há quem proteste, é preciso usar as palavras da indignação, se preciso for, desdizer o que foi dito para proteger o que mais importa. Se falha, é porque o governo vacila, fraqueja face a interesses instalados. Aplica mal. É mesmo possível que, no detalhe, o programa tenha sido mal desenhado. Em desespero, dir-se-á: isto é mau, mas ainda assim preferível à alternativa.

José Castro Caldas e João Ramos de Almeida em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 113 | II série | Março de 2016)

Saúde, eficiência e direito à energia: pistas para uma mobilização (p. 7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/03/2017

A definição inglesa de pobreza energética abrange famílias com altas «despesas teóricas», isto é, que teriam de gastar mais de 10% dos seus rendimentos para atingir os níveis de conforto definidos pela OMS. Estudos actuais colocam 92%  das famílias portuguesas em situação de pobreza energética, segundo esta definição.

Lise Desvallées em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 112 | II série | Fevereiro de 2016)

A caminho de um estado de excepção permanente (p. 22)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 26/02/2017

Nice, 19 de Novembro de 2015, 4h30 da manhã. Homens de uma unidade de elite da polícia fazem explodir a porta do apartamento de um casal de tunisinos; os estilhaços ferem na cabeça e no pescoço a sua filha de 6 anos de idade. Os homens abandonam o lugar de mãos a abanar: enganaram-se no endereço. Em 21 de Novembro, às 20h30, em Saint-Ouen-l’Aumône, um grupo de polícias com farda de intervenção invade a sala do restaurante halal Pepper Grill. Ordenam aos clientes que estão a jantar tranquilamente que coloquem as mãos em cima das mesas. Na cave, os polícias forçam as portas diante do patrão que lhes sugere, em vão, que usem a maçaneta. Em 22 de Novembro, pouco antes da meia-noite, em Seine-Saint-Denis, a polícia arromba a porta de um homem convertido ao islamismo, que usa barba, devassa-lhe o apartamento e parte sem qualquer explicação.

No dia 24, em Dorgogne, de madrugada, fizeram uma perseguição a um casal de agricultores biológicos libertários, suspeitos por terem participado há três anos numa manifestação contra o projecto do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes. O acórdão indica que «há sérias razões para pensar que podem encontrar-se nos locais pessoas, armas ou objectos susceptíveis de estar ligados a actividades relacionadas com o terrorismo». A 8 de Dezembro, o ministro do Interior, reconhecendo que foi um «equívoco» revoga o acórdão que mantinha em prisão domiciliária um pai de família desde 15 de Novembro: denunciado por motivos fantasiosos pelo seu antigo empregador, director de uma estação de tratamento de águas em AIx-en-Provence, o homem tinha de se apresentar quatro vezes por dia no comissariado. «Quem é este barbudo?», inquietaram-se os polícias durante as buscas, perante uma gravura representando… Leonardo da Vinci.

Jean-Jacques Gandini em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 111 | II série | Janeiro de 2016)

Delatores em pantufas (p. 39)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 31/01/2017

No Reino Unido, a empresa Internet Eyes lançou, em 2009, uma iniciativa idêntica, proposta como uma espécie de jogo aberto a todos os internautas. Também neste caso, o objectivo é vigiar lojas e ruas, identificando eventuais infracções. Para participar e aderir à rede, os voluntários têm de pagar uma pequena taxa mensal. Uma vez verificada a sua identidade, têm acesso às imagens de quatro câmaras de vigilância que são exibidas no seu computador.

Sentados no sofá, os aderentes observam em directo através do olho das câmaras. Se detectam um roubo, uma agressão, um comportamento suspeito, clicam num botão de alerta. A imagem fica então parada e eles podem ampliá-la para verificar. Em seguida, o gerente da loja recebe uma mensagem com a imagem captada. Se ele considerar este alerta útil, são creditados ao internauta delator três pontos. Se ele pensar que o alerta foi justificado, mesmo que afinal não tenha havido infracção, o internauta recebe um ponto. Em contrapartida , se o comerciante considerar o alerta injustificado, o «vigilante» perde pontos. No fim de cada mês, a Internet Eyes promete ao espião que tiver detectado mais fraudes ou roubos uma recompensa que pode ir até às 1000 libras esterlinas…

Ignacio Ramonet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 110 | II série | Dezembro de 2015)

Crescimento, um culto em vias de extinção (p. 22)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 28/12/2016

Como pretender ser exemplar sobre o clima ligando tudo ao crescimento? Esta contradição não perturba um grande número de dirigentes, que partilham uma nova religião: o «crescimento verde», esta transição que supostamente estimula o crescimento, que por sua vez estimula a transição.

Jean Gadrey em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 109 | II série | Novembro de 2015)

Rebentar as algemas mediáticas (p. 18)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/11/2016

E quando, a 27 de Agosto, os credores ocidentais, intratáveis no caso da dívida grega, aceitaram o apagamento de uma parte da dívida da Ucrânia, que grande diário económico avaliou o que este abandono de créditos podia custar a «cada francês», italiano, lituano, etc.? Que canal de televisão se apressou a recolher, num dos seus heróicos passeios de microfone, as reacções de transeuntes aterrorizados por imaginarem a espoliação que um tal perdão da dívida significaria para eles?

Serge Halimi em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 108 | II série | Outubro de 2015)

Resistir à uberização do mundo (p. 10)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 26/10/2016

Ilustração vinda de Barcelona: como muitas instituições culturais espanholas, um clube de stand-up (one-man-show humorístico), o Teatreneu, regista uma diminuição de públicos desde que o governo, procurando desesperadamente cobrir as suas necessidades de financiamento, decidiu aumentar o imposto sobre as vendas de bilhetes de 8% para 21%. Os administradores do Teatreneu encontraram então uma solução engenhosa: estabelecendo uma parceria com a agência de publicidade Cyranos McCann, equiparam as costas de cada cadeira com tablets de última moda capazes de analisar as expressões faciais. Com este novo modelo, os espectadores podem entrar gratuitamente, mas têm de pagar 30 cêntimos por cada riso reconhecido pelo tablet — estando a tarifa máxima fixada em 24 euros (ou seja, 80 risos) por espectáculo.

Evgeny Morozov em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 107 | II série | Setembro de 2015)

Do operário ao artista como trabalhador (p. 6)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/09/2016

Frequentemente associada à ideia de inovação económica — mais do que de produção cultural ou artística –, a criatividade encontra-se no centro das actuais políticas do território, de forma interligada com outros sectores, como a cultura ou o emprego.

[…]

Da mesma forma, torna-se cada indivíduo como um empreendedor criativo em potência. A figura do artista, tida comummente como subversiva e marginal, passou a construir-se como modelo de trabalhador do presente. na forma do empreendedor criativo, mediante um aproveitamento do seu estatuto em termos de autonomia intelectual.

Mariana Rei em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 106 | II série | Agosto de 2015)

Os Balcãs, nova linha da frente entre a Rússia e o Ocidente (p. 28)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/08/2016

A visita de Vladimir Putin a Belgrado, a 16 de Outubro de 2014, devia ter sido uma oportunidade para celebrar a amizade entre a Sérvia e a Rússia. Para que o presidente russo fosse o convidado de honra da maior parada militar jamais organizada desde a morte do marechal Tito, fora até decidido antecipar alguns dias a data oficial das celebrações do 70.º Aniversário da Libertação de Belgrado, a 20 de Outubro de 1944. Infelizmente a jornada correu mal, porque a Sérvia recusou aceder ao pedido russo de conceder estatuto diplomático a todo o pessoal do Centro Humanitário de Nils. Em resposta, o presidente russo pôs de lado o pedido de Vucic de um pagamento de 200 milhões de euros de uma factura de gás. Seis semanas mais tarde, a 1 de Dezembro, a Rússia anunciava o abandono do projecto de gasoduto South Stream, que devia ter permitido abastecer a Europa com gás russo, contornando a Ucrânia.

Jean-Arnault Déréns e Laurent Geslin em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 105 | II série | Julho de 2015)