do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 10/11/2016

O companheiro demorou-se um instante no termo civilizado. A burguesia de 1900 que, em caso de falência, punha luto e deixava crescer as barbas, usava honra como termo-chave, termo sagrado, como termo-tipo. Os folhetins de porta em porta ainda hoje gastam essa palavra por tudo e por nada: a honra dos pobre, a honra do nome, o preço da honra.

Vieram duas guerras, nada menos que duas, e logo à primeira, com a subida à Banca de candongueiros e novos-ricos, o termo foi-se. À segunda guerra, pior. Os candongueiros que estavam defenderam-se à custa de leis e de aparatos de interesse público dos candongueiros que queriam subir. E passaram a usar palavras mais de raposa e menos de lobo: correcto, capaz, prestigioso, termos em que não se empenha tanto a moral do indivíduo. Um sujeito correcto, um cidadão prestigioso, um político capaz. Mas civilizado é mais engenhoso ainda. Justifica tudo e dá grandeza.

CARDOSO PIRES, José, O Anjo Ancorado (1958), 5ª edição, Lisboa, Moraes Editores, 1977, pp. 139-140.

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