do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 01/07/2015

Fatalidade do tempo, a Ciência apresenta-se como desafio irrecuperável às verdades eternas, como heresia ou exibicionismo aventura que tende a reduzir o homem à máquina sem alma. E a arte como exploração pretensiosa, ou ainda: ocupação de inadaptados. Hollywood, as biografias em série e os comic strips distribuem esse retrato exótico do intelectual: o sábio débil e lunático; Chopin compondo num acesso de fúria enquanto o vendaval lhe destelha a casa; Van Gogh, o pintor de uma orelha por uma prostituta; Bocage, o das anedotas e dos sonetos entre sécias.

Com isto, isola-se o intelectual do convívio comum, recusa-se-lhe o estatuto dos valores colectivos. Melhor dito: propõe-se-lhe uma disfarçada alienação, tolerando-a à margem e enaltecendo-lhe as irresponsabilidades. Dá-se-lhe o lugar dos predestinados ou a condescendência dos ingénuos semiloucos — e fica defendida a sociedade de ideias pelo menos ociosas. E simultaneamente «eternizadas» a obra de criação.

CARDOSO PIRES, José, Cartilha do Marialva (1960), 2ª edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1966, p. 104.

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