do Gr. photós + páthos

Quando as palavras valem ouro (p. 25)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 21/01/2015

O que temem os actores do capitalismo linguístico? Que a língua lhes escape, que ela se parta, se «desortografe», se torne impossível de colocar em equações. Quando o Google corrige imediatamente uma palavra mal grafada, ele não se limita a prestar-lhe um serviço: a mais das vezes, ele transforma um material sem grande valor (uma palavra mal grafada) num recurso económico directamente rentável. Quando o Google prolonga uma frase que começou a digitar na quadro de pesquisa, ele não se limita a fazê-lo ganhar tempo: ele leva-o ao sector da língua que ele explora, convida-o a tomar o caminho estatístico percorrido pelos outros internautas. As tecnologias do capitalismo linguístico levam, assim, à normalização da língua. E quanto mais utilizarmos as próteses linguísticas, deixando os algoritmos corrigirem e prolongarem as nossas palavras, mais essa normalização será eficaz.

Frédéric Kaplan em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 61 | II série | Novembro de 2011)

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