do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 10/03/2014

O poeta que vive pouco tempo, o poeta que abdica de si próprio, o poeta que arrebata a própria vida, estará sempre um ponto acima do poeta que persevera, de acordo com a legislação que prefere o incurável ao curável, a dissonância última ao esforço infinito da harmonia. E no entanto, para continuar a escrever, o grande poeta tem de ser curável, não lhe é permitido decidir que esta é a última obra, a não ser no sentido em que a próxima, aquela em que ele já está a lavrar, é a última. Mas mal a terminou e espera já pelo retorno da falha e não desespera quando ela se reabre mais temível. Quem se esgota nesta tarefa não pode deixar de ser empurrado para o desterro.

MOLDER, Maria Filomena, “A Suprema Indiscrição”, in Goethe, Torquato Tasso, Trad. João Barrento, Lisboa, Relógio D’Água, 1999, p. 8.

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