do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 03/03/2014

Tudo se passa como se, para os Astecas, os signos decorressem automática e necessariamente do mundo que designam, em lugar de serem uma arma destinada a manipular os outros. Esta característica da comunicação entre os índios dá lugar, junto dos autores que lhes querem bem, a uma lenda segunda a qual os índios seriam um povo que desconhece a mentira. Motolinia afirma que os primeiros frades haviam distinguido sobretudo dois traços dos índios:«Que eram pessoas muito verdadeiras e incapazes de se apoderarem dos bens alheios, mesmo que ficassem na rua vários dias». Las Casas confirma essa falta total de «duplicidade» da parte dos índios, comparando-a à atitude dos espanhóis: «Os espanhóis não cumpriram a sua palavra nem respeitaram a verdade para com os índios», de modo que, afirma ele, «’mentiroso’ e ‘cristão’ tornaram-se sinónimos». «Quando os espanhóis perguntavam aos índios [isto aconteceu, não só uma, mas muita vezes] se eles eram cristãos, o índio respondia: ‘Sou, sim senhor, sou um pouco cristão porque já sei mentir um pouco; um dia saberei mentir muito e então serei muito cristão’».

TODOROV, Tzvetan, La conquête de L’Amérique – la question de l’autre (1984), A conquista da América – a questão do outro, trad. Maria Isabel Braga, Lisboa, Litoral Edições, 1990, p. 113.

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