do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 13/01/2014

Sabia-se de uma forma vaga que tinha sido professor e escrevia livros, fossem embora daqueles livros que ninguém lê; ele próprio nunca se lhes referia nem insistia para que os lessem. Quando, por delicadeza, lhe faziam perguntas a tal respeito, desviava a conversa. Todos se sentiam reconhecidos por não lhes impor o tédio de lê-lo e o esforço de compreendê-lo. Todos sabiam que orgulho tinha na sua nobre figura, no queixo cuidadosamente barbeado, na decência com que o seu forte bigode militar ocultava a amargura e a sensualidade daqueles lábios que um tremor agitava. Ninguém pensava em ler o que realmente se passava por detrás daquela bela testa, como uma proa que andasse à frente de dois inquietos e dolorosos olhos de chama excessivamente fixa, atenuada por espessas sobrancelhas.

FAURE, Élie, Les Constructeurs (1914), A dança sobre o abismo (Nietzsche), Trad. Alberto Nunes Sampaio, Lisboa, Hiena Editora, 1993, p. 50.

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