do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 19/12/2013

E falta muita velocidade ao mundo. Uma velocidade inteligente, que vá directo a qualquer coisa de essencial. Quando falamos de velocidade actual referimo-nos à passagem de um estímulo para o outro, ao facto de uma pessoa cansar-se rapidamente, o que tem a ver com a multiplicação das imagens. Na Idade Média, ao longo das suas vidas as pessoas tinham acesso, no máximo, a sete ou oito imagens, pinturas ou representações. Por isso, concentravam a sua atenção durante dias, semanas, meses. Vivemos numa época em que, em dois minutos, vemos mais imagens que os nossos antepassados do século XVI na vida toda. O mesmo acontece com as pessoas. Um europeu da Idade Média se calhar conhecia 50 na vida toda, talvez aquilo que nós conhecemos num mês. Isso faz com que haja, hoje em dia, uma velocidade de consumo de imagens e de pesoas. Se uma imagem não nos salva, há milhares de outras. Com muitas excepções, é muito raro uma pessoa estar duas ou mesmo uma hora seguida concentrada num único objecto. Ou seja, há uma geração que tem muitos estímulos. Estou com curiosidade em saber o que vai acontecer em termos artísticos daqui a 10 ou 20 anos.

Gonçalo M. Tavares entrevistado por Luís Ricardo Duarte e Maria Leonor Nunes em Jornal de Letras, Artes e Ideias (#1125), Novembro de 2013, p. 8.

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