do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 27/12/2012

Exemplo acabado é o comportamento daqueles indivíduos que se deitam a fritar ao sol, só por causa do bronzeado, mesmo que dormitar debaixo de um sol abrasador não dê qualquer prazer, seja provavelmente desagradável do ponto de vista físico e, de certeza, empobreça o espírito. Através do bronzeado da pele, que de resto pode ser bem sedutor, o carácter de fetiche da mercadoria apodera-se dos seres humanos na sua essência, transformando-se eles a si próprios em fetiche. A ideia de que uma rapariga possa ser eroticamente mais apelativa, graças à sua pele bronzeada, é, com certeza, só mais uma racionalização. O bronzeado tornou-se um fim em si, mais importante do que o romance, que tinha porventura a função de atrair. Se as pessoas regressam de férias sem ter adquirido a cor obrigatória, bem podem ter a certeza que não escaparão à pergunta maldosa dos colegas de trabalho: “Mas então não chegou a ir para férias?”

ADORNO, Theodor W., “Tempos livres” (1969), in Sobre a Indústria da Cultura, Trad. Aires Graça, Coimbra, Angelus Novus, 2003, p. 137.

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