do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 23/10/2012

15 de Setembro de 1942

Uma repentina crise de melancolia.

A única coisa importante — a minha qualidade de mortal, de quem espera a morte — esqueço-me dela. perco o tempo com um trabalho idiota na Legação e com estudos sem sentido.

Vivemos uma catástrofe cósmica: este é o único sentido da guerra. Tenho de a encarar como encaravam os meus antepassados a seca, os terramotos, as pragas. Não há nada a fazer. Tem de se esperar — e se preparar para a morte, rezando, fazendo pazes com o próximo. Qualquer outra atitude é ridícula.

Só durante essas crises me dou conta da tragédia da minha vida: porque eu apostei em cultura, em obras de arte, em criação — e tudo isso é inútil no plano metafísico e é absurdo no momento histórico que vivemos.

ELIADE, Mircea, Jurnalul Portughez (2006), Diário Português [1941-1945], Trad. Corneliu Popa, Lisboa, Guerra & Paz, 2008, p. 71.

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