do Gr. photós + páthos

Para sair da armadilha (p. 12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 12/12/2010

Será ilusório esperar que a omnipresente crise só tenha consequências limitadas e que o capitalismo europeu continue a garantir um nível de vida justo a uma maioria da população. E que a espantosa concepção da «radicalidade» esta, a de apostar unicamente nas circunstâncias para atenuar os estragos da crise… Certamente que o que não falta são os anticapitalistas. Estamos literalmente submergidos por acusações contra os horrores do capitalismo: dia após dia vemos as investigações jornalísticas, as reportagens televisivas e os êxitos editoriais consagrados aos industriais que destroem o ambiente, aos banqueiros corruptos que amealham bónus astronómicos enquanto os seus cofres sugam o dinheiro público, aos fornecedores de cadeias de pronto-a-vestir que empregam crianças que trabalham doze horas por dia.

Contudo, por muito constantes que estas criticas possam parecer, elas acabam por não ter qualquer impacto porque nunca põem em causa o quadro liberal-democrático no interior do qual o capitalismo faz os seus estragos. O objectivo, explícito ou implícito, consiste invariavelmente em regular o capitalismo – sob a pressão da comunicação social, do legislador ou de investigações policiais honestas – e, sobretudo, não em contestar os mecanismos institucionais do Estado de direito burguês.


Slavoj Žižek em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 49 | II série | Novembro de 2010)

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