do Gr. photós + páthos

António Telmo (1927-2010)

Posted in filosofia by Paulo S. on 23/08/2010

Soube hoje.

Entre as histórias (estórias) sobre ele e ele mesmo. António Telmo (n. 2 de Maio de 1927 – m. 21 de Agosto de 2010)

1. A ecologia é a ciência das leis da natureza enquanto morada do homem (oikos + logia = morada + ciência).

2. O seu objectivo é conhecer as leis ocultas das degradações, isto é, o princípio do mal como se exprime nos fenómenos de transformação das energias físicas.

3. Como, em geral, e com funda razão, não se atribui mal à natureza, isto é, uma intenção, uma vontade, diz-se que ela não é imoral, mas amoral.

4. Se os ciclos de transformação de energias são alterados, há que supor uma vontade, um agente exterior ou que pode agir do exterior desses ciclos. O homem é, em geral, dado como esse agente. Daqui os protestos contra a indústria ou o engenho do homem.

5. Há dois aspectos pelos quais podemos apreender a noção de lei: a lei física em que se dá a relação constante de certos efeitos com certas causas; a lei metafísica que é a relação de um efeito visível com uma causa invisível ou oculta. As causas, tais como as apreende a Física, sendo físicas são efeitos.

6. As causas ocultas são livres.

7. O homem, enquanto elemento da cadeia natural dos seres, não é uma causa livre ou oculta. Tudo indica, porém, que pode elevar-se acima da natureza e concitar a acção de causas capazes de alterarem os ciclos naturais de transformação.

8. É um erro supor que os ciclos naturais de transformação, porque não são em si a expressão de uma vontade livre de fazer o mal, são, desde o início e no fim, a forma à qual o movimento dos seres deve ser restituído, uma vez impedidos e neutralizados os movimentos de degradação que os ecologistas denunciam. A natureza está contaminada de mal desde o início, porque nela se cumpre um «Crescei e multiplicai-vos» aumentando excepcionalmente de um «Devorai-vos».

9. Não há na natureza a intenção consciente de fazer o mal; a alimentação funciona como um instinto. Na medida em que subimos do reino mineral para o reino vegetal e deste para o reino animal, onde o éter é sangue, começamos a compreender o horror daquela frase que se atribui a Lenine: «As revoluções não se fazem sem sangue; não são para vegetarianos; eu, por mim, prefiro a carne mal passada.».

10. O homem é o centro da natureza e é, por isso, através dele, que se estabelece a relação dos efeitos naturais com as causas ocultas ou vontades livres que constituem a sobrenatureza. Os efeitos dessa relação propagam-se em círculos concêntricos até à periferia indefinida.

11. A ecologia é um aspecto moderno da antiga ciência do homem.

12. A reintegração de todos os seres nos seus princípios primitivos não se limita apenas ao plano que designamos por natureza. Segundo Orígenes, a Ressurreição de Cristo repercutiu-se em todas as esferas cósmicas e metacósmicas.

13. Ecologia sem filosofia é economia stricto sensu.

14. O homem não é, como quer o neo-orientalismo, um elo na cadeia infinita dos seres. É, do nosso ponto de vista, o ponto de vista cristão, o centro de todos os seres criados.

TELMO, António, “Para um Movimento Metafísico de Ecologia”, Filosofia e Kabbalah, Lisboa, Guimarães Editora, 1989, pp. 26-27

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