do Gr. photós + páthos

latente no amor, patente na cidade

Posted in filosofia by Paulo S. on 01/06/2009

Leitura sobre a série the only cure for love is…



I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked, [1]

Tivemos o mundo, fomos o mundo… [2]



Na formação de um grupo, colectivo, movimento, geração, o passo inicial – para se poder formar –, é o da inclusão, que de imediato cria o passo seguinte: o da exclusão. Apesar de considerar a Tamara Alves minha amiga, escrevo(-lhe) do lado dos excluídos.

Há uma tendência física e temporal para abordar uma geração: de fora para dentro e falando dela num pretérito passado, como se só existisse para ser contada (das várias formas possíveis, nos vários suportes possíveis).

A fórmula é simples na sua concepção: the only cure for love is… love, na sua concretização o processo complica-se (ao ponto de se tornar utópico). A ideia de amor vai-se alterando de época para época, de pessoa para pessoa, de país para país. Nos dias de hoje, já seria de esperar que esta fórmula desse resultados, não em termos globais – já desistimos há muito desse projecto – mas nas pessoas que nos rodeiam mais. Pois se ainda não te apercebeste (falo contigo, tu que me estás a ler), os amigos da Tamara que são retratados aqui, são os teus amigos; a sua geração é a tua geração. Projecta à vontade, é para isso também que a arte serve. Se nos ficarmos pela observação, pela análise fixa, então não passamos para a outra dimensão de liberdade que a arte pode proporcionar e que nos proporciona. Ou pegando nas palavras da artista, «Estes signos não fecham uma realidade, abrem possibilidades.».


David Hume (1711-1776) disse que o espírito progride em contacto com o meio urbano. O meio urbano de Hume não é o meio urbano de Tamara. Mas esta progressão de que Hume fala, talvez ainda sobreviva nas vivências de uma qualquer Tamara na cidade; a cidade exige uma pré-disposição para a competição, isto, por exemplo, estava presente no séc. XVIII e está mais que presente no séc. XXI. A artista coloca a cidade como sustentáculo desta série, cidade como garantia de vivências de uma exclusividade própria. «[…] lugar de actividade contínua, rotineira ou impulsiva, que apresenta a maior concentração de actos humanos, intensa, frenética, excitante, e de um lugar de encontro da arte com o público directamente.»; falta nomear uma condição que se transforma em condicionante: a superficialidade – enunciadora de uma sociedade pós-moderna, ou um princípio do hiper-individualismo lipovetskyiano.

O espírito artístico de Tamara evolui com esse contacto, assumidamente evolui para este caminho onde the only cure for love is… love.



[1] GINSBERG, Allen, Collected Poems 1947-1997 (2006), New York, HarperCollins, 2007, p.134. [negrito meu]
[2] Gumes (parte 8), Mão Morta, “Nus”, Cobra Discos, 2004.


Nota: Exposição composta por nove quadros, dois murais e uma instalação-vídeo. Visionamento da exposição na sede do CEPiA a 3 de Dezembro de 2008.

serie_tamara

fotografias tiradas por Tamara Alves

o blog: tamaralves.blogspot.com

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