do Gr. photós + páthos

primeiro parágrafo I

Posted in filosofia by Paulo S. on 08/06/2007

Se em tôrno do cadáver de Heliogabalo, morto sem sepultura, e degolado pela sua polícia nas latrinas do seu palácio, há uma intensa circulação de sangue e excrementos, em tôrno do seu berço há uma intensa circulação de esperma. Heliogabalo nasceu numa época em que toda a gente dormia com toda a gente e nunca se saberá onde nem por quem foi sua mãe realmente fecundada. Para um príncipe sírio como êle a descendência faz-se pela mãe – e, em matéria de mães, há em volta dêste filho de cocheiro, recém-nascido, uma plêiade de Júlias; e, utilizem ou não o trono, todas elas são putas rematadas.


ARTAUD, Antonin, Heliogabale, ou L’Anarchiste Couronné (1967), Heliogabalo ou O Anarquista Coroado, Trad. Mário Cesariny, Lisboa, Assírio & Alvim, 1991, p.13.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: