do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 14/06/2017

[…] perante a profusão de sinais exteriores de felicidade comercial ou capitalista, ficámos inaptos para interpretar outras felicidades, a do silêncio, da inteligência, da simplicidade de vida, da entreajuda, da falta de pressa, do convívio com as crianças e os bichos.

GOMES, Paulo Varela, O Verão de 2012, Lisboa, Tinta-da-china, 2013, p. 34.

jogos de azar / onde os espíritos vivem

Posted in aos pares by Paulo S. on 04/06/2017

Gentrificação e turistificação: o caso do Bairro Alto em Lisboa (p.7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 25/05/2017

A dinâmica imobiliária apropria-se dos valores do local desenvolvendo um marketing que enfatiza valores como a história da área e a possibilidade de se viver durante a estadia num bairro tradicional juntamente com a população local, ao mesmo tempo que favorece o desaparecimento desta mesma população.

Fabiana Pavel em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 114 | II série | Abril de 2016)

Estudantes, Giorgio Agamben

Posted in filosofia by Paulo S. on 19/05/2017

Aqui é preciso inverter o lugar comum segundo o qual todas as actividades humanas são definidas pela sua utilidade. Por força desse princípio, as coisas evidentemente mais supérfluas estão hoje inscritas num paradigma utilitário, recodificando como necessidades actividades humanas que sempre foram feitas apenas por puro prazer. Deveria ser claro, de facto, que numa sociedade dominada pela utilidade são justamente as coisas inúteis que se tornam um bem a salvaguardar. A essa categoria pertence o estudo. Aliás, a condição estudantil é para muitos a única ocasião para fazer a experiência, hoje cada vez mais rara, de uma vida que se subtrai a fins utilitários. Por isso, a transformação das faculdades de humanidades em escolas profissionais é, para os estudantes, ao mesmo tempo um engano e um massacre: um engano porque não existe nem pode existir uma profissão que corresponda ao estudo (e isso não será certamente a cada vez mais rarefeita e desacreditada didáctica); um massacre porque priva os estudantes daquilo que constituía o sentido mais próprio da sua condição, deixando que, ainda antes de serem capturados pelo mercado de trabalho, vida e pensamento, unidos pelo estudo, se separem irrevogavelmente.

 

fonte: http://www.revistapunkto.com/2017/05/estudantes-giorgio-agamben_17.html

Posted in filosofia by Paulo S. on 12/05/2017

Sei, como todos nós sabemos, como pesa o tempo vencido sobre alguém que se aventura a descrevê-lo.

CARDOSO PIRES, José, Lavagante, encontro desabitado, Lisboa, Edições Nelson de Matos, 2008, p. 59.

caderno 16 III

Posted in cadernos by Paulo S. on 03/05/2017

A fabricação do consentimento: discurso jornalístico sobre a crise em Portugal (p. 14)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/04/2017

Esta história é simples, apela a valores e sentimentos embutidos na cultura religiosa, ao senso comum da economia doméstica. É eficaz na legitimação do programa, mesmo quando parece criticá-lo.

Há uma evolução das crenças por detrás da flutuação da opinião dos jornalistas, entre o aplauso incondicional ao programa, no início, à crítica depois, e, por fim, o que parece por vezes mesmo protesto indignado? Nem por isso. O ajustamento é defendido sempre. Mesmo quando é criticado. Se corre mal e há quem proteste, é preciso usar as palavras da indignação, se preciso for, desdizer o que foi dito para proteger o que mais importa. Se falha, é porque o governo vacila, fraqueja face a interesses instalados. Aplica mal. É mesmo possível que, no detalhe, o programa tenha sido mal desenhado. Em desespero, dir-se-á: isto é mau, mas ainda assim preferível à alternativa.

José Castro Caldas e João Ramos de Almeida em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 113 | II série | Março de 2016)

Posted in diálogos by Paulo S. on 22/04/2017

colagem para projecto de Fernando Machado Silva que não chegou a concretizar-se (31 de Janeiro de 2012)
[aspas desenhadas digitalmente por Ariana Couvinha]

Posted in filosofia by Paulo S. on 15/04/2017

Velocidades que chegam à imobilidade.

COCTEAU, Jean, Opium (1930), Ópio, Trad. Miguel Serras Pereira, Lisboa, Difel, 1984, p. 41.

Caderno azul n.º 10

Posted in diálogos by Paulo S. on 04/04/2017

Era uma vez um homem ruivo que não tinha olhos nem orelhas.

Também não tinha cabelo, chamavam-lhe ruivo por mera convenção.

Não falava porque não tinha boca. Também não tinha nariz.

Nem sequer tinha braços ou pernas. Não tinha estômago, não tinha costas, não tinha coluna, e também não tinha vísceras. Não tinha mesmo nada! Por isso não podemos saber de quem estamos a falar.

Diria mesmo que é melhor não acrescentarmos mais nada a seu respeito.

KHARMS, Daniil, Três Horas Esquerdas (2001), Trad. Júlio Henriques, Porto, FLOP, 2017, p. 41.