do Gr. photós + páthos

libertar o futuro / deixar a vida

Posted in aos pares by Paulo S. on 21/03/2017

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 14/03/2017

Um dos temas mais profundos do livro de Foucault é o que consiste na substituição desta oposição, demasiado grosseira, lei-ilegalidade, por uma correlação, fina, ilegalismos-leis. A lei é sempre uma composição de ilegalismos que ela diferencia formalizando-os. Basta que se considere o direito das sociedades comerciais para ver que as leis não se opõem globalmente à ilegalidade, mas que umas organizam explicitamente o meio de tornear as outras. A lei é uma gestão de ilegalismos, uns que ela permite, torna possíveis ou inventa como privilégio da classe dominante; outros que ela tolera como compensação das classes dominadas, ou mesmo que ela põe ao serviço da classe dominante; outros, enfim, que ela interdita, isola e toma como objecto — mas também como meio — de dominação.

DELEUZE, Gilles, Foucault (1986), Foucault, 2ª edição, Trad. José Carlos Rodrigues, Lisboa, Vega, 1998, pp. 52-53.

caderno 16 II

Posted in cadernos by Paulo S. on 03/03/2017

A caminho de um estado de excepção permanente (p. 22)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 26/02/2017

Nice, 19 de Novembro de 2015, 4h30 da manhã. Homens de uma unidade de elite da polícia fazem explodir a porta do apartamento de um casal de tunisinos; os estilhaços ferem na cabeça e no pescoço a sua filha de 6 anos de idade. Os homens abandonam o lugar de mãos a abanar: enganaram-se no endereço. Em 21 de Novembro, às 20h30, em Saint-Ouen-l’Aumône, um grupo de polícias com farda de intervenção invade a sala do restaurante halal Pepper Grill. Ordenam aos clientes que estão a jantar tranquilamente que coloquem as mãos em cima das mesas. Na cave, os polícias forçam as portas diante do patrão que lhes sugere, em vão, que usem a maçaneta. Em 22 de Novembro, pouco antes da meia-noite, em Seine-Saint-Denis, a polícia arromba a porta de um homem convertido ao islamismo, que usa barba, devassa-lhe o apartamento e parte sem qualquer explicação.

No dia 24, em Dorgogne, de madrugada, fizeram uma perseguição a um casal de agricultores biológicos libertários, suspeitos por terem participado há três anos numa manifestação contra o projecto do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes. O acórdão indica que «há sérias razões para pensar que podem encontrar-se nos locais pessoas, armas ou objectos susceptíveis de estar ligados a actividades relacionadas com o terrorismo». A 8 de Dezembro, o ministro do Interior, reconhecendo que foi um «equívoco» revoga o acórdão que mantinha em prisão domiciliária um pai de família desde 15 de Novembro: denunciado por motivos fantasiosos pelo seu antigo empregador, director de uma estação de tratamento de águas em AIx-en-Provence, o homem tinha de se apresentar quatro vezes por dia no comissariado. «Quem é este barbudo?», inquietaram-se os polícias durante as buscas, perante uma gravura representando… Leonardo da Vinci.

Jean-Jacques Gandini em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 111 | II série | Janeiro de 2016)

sobre o contrato social / a família

Posted in aos pares by Paulo S. on 21/02/2017

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 12/02/2017

Tudo o que isto sugere e que os conservadores de hoje não são mesmo conservadores. Apesar de apoiarem incondicionalmente a autorrevolução contínua do capitalismo, querem apenas que este se torne mais eficiente, suplementando-o com algumas instituições tradicionais (a religião, por exemplo) de modo que se reduzam as suas consequências negativas na vida social e se mantenha a coesão social. Actualmente, um verdadeiro conservador e aquele que admite sem reservas os antagonismos e becos sem saída dos capitalismos globais, aquele que recusa o simples progressismo e que está atento à face negativa do progresso. Neste sentido, actualmente, só um radical de esquerda pode ser um verdadeiro conservador.

ZIZEK, Slavoj, Trouble in Paradise (2014), Problemas no Paraíso — o comunismo depois do fim da história, Trad. C. Santos, Lisboa, Bertrand Editora, 2015, p. 34.

caderno 16 I

Posted in cadernos by Paulo S. on 04/02/2017

Delatores em pantufas (p. 39)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 31/01/2017

No Reino Unido, a empresa Internet Eyes lançou, em 2009, uma iniciativa idêntica, proposta como uma espécie de jogo aberto a todos os internautas. Também neste caso, o objectivo é vigiar lojas e ruas, identificando eventuais infracções. Para participar e aderir à rede, os voluntários têm de pagar uma pequena taxa mensal. Uma vez verificada a sua identidade, têm acesso às imagens de quatro câmaras de vigilância que são exibidas no seu computador.

Sentados no sofá, os aderentes observam em directo através do olho das câmaras. Se detectam um roubo, uma agressão, um comportamento suspeito, clicam num botão de alerta. A imagem fica então parada e eles podem ampliá-la para verificar. Em seguida, o gerente da loja recebe uma mensagem com a imagem captada. Se ele considerar este alerta útil, são creditados ao internauta delator três pontos. Se ele pensar que o alerta foi justificado, mesmo que afinal não tenha havido infracção, o internauta recebe um ponto. Em contrapartida , se o comerciante considerar o alerta injustificado, o «vigilante» perde pontos. No fim de cada mês, a Internet Eyes promete ao espião que tiver detectado mais fraudes ou roubos uma recompensa que pode ir até às 1000 libras esterlinas…

Ignacio Ramonet em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 110 | II série | Dezembro de 2015)

a burocracia / rima pobre

Posted in aos pares by Paulo S. on 18/01/2017

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 09/01/2017

Não falo da velocidade que se desloca de um ponto a outro, mas da velocidade que não se move, da própria velocidade.

COCTEAU, Jean, Visão Invisível, Trad. Aníbal Fernandes, Lisboa, Assírio & Alvim, 2005, p.73.