do Gr. photós + páthos

Posted in filosofia by Paulo S. on 16/02/2018

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LONGE
(1914)

 

Quisera evocar esta lembrança…
Mas já se esvaiu… como se nada restasse —
porque jaz longe, nos primeiros anos da juventude.

Uma pele como que feita de jasmim…
Essa noite de Agosto — seria Agosto? — essa noite…
Apenas lembro por fim os olhos; eram, creio, azuis…
Ah, sim, azuis! — um perfeito profundo azul.

 

KAVÁFIS, Konstatinos, 145 Poemas, trad. Manuel Resende, Porto, FLOP, 2017, p. 93.

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Posted in diálogos by Paulo S. on 07/02/2018

música
Conan Osiris – adoro bolos

Posted in filosofia by Paulo S. on 04/02/2018

Se bem que para todos os casos há um saudável remédio: viver. Viver, que é amar o menos possível, dormir o mais possível, esperar o menos possível, fazendo de conta que não se vive.

TARIO, Francisco, Equinoccio (1946), Equinócio, trad. Rui Manuel Amaral, Lisboa, Língua Morta, 2015, p. 26.

O triunfo do estilo paranóico (p.12)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 29/01/2018

Durante muito tempo inscrito nas listas eleitorais como democrata, torna-se republicano apenas em 2009. Durante a sua efémera batalha para a nomeação deste partido em 2012, ele impõem-se como porta-voz dos que contestam a legitimidade do primeiro presidente negro da história americana, alegando que Barack Hussein Obama não teria nascido nos Estados Unidos. O presidente acabou por tornar pública toda a documentação relativa ao seu nascimento, mas as provas fornecidas não foram suficientes para acabar com a polémica alimentada por uma poderosa «indústria do fantasma».

Dinesh D’Souza, nascido na Índia, e naturalizado americano, é um dos ideólogos desta direita obcecada pelos perigos da emigração. Produziu imensos livros e documentários destinados a semear a dúvida sobre a «americanidade», ou mesmo o patriotismo, de Obama.

Ibrahim Warde em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 122 | II série | Dezembro de 2016)

Posted in filosofia by Paulo S. on 17/01/2018

Para que penetro no licor das almas, se apenas lhes revolvo as impurezas?

MARMELO E SILVA, José, Sedução (1937), 3ª edição, Lisboa, Estúdios Cor, 1960, p. 80.

Posted in fotografia by Paulo S. on 10/01/2018

Posted in livros emprestados by Paulo S. on 03/01/2018

O olhar pisado-mortiço do papá, sentado na cama, olhando-me sem palavras, pensando «tenho pouco tempo. Estás aí cheia de vida e sou um peso». Tudo isto sem palavras porque foi a minha culpa que as inventou. Terá o papá realmente pensado o que li nos seus olhos ou o que neles vi eram golpes da minha consciência? A culpa. O olhar moribundo vivo do papá querido. Uma vez e outra vez. Outra ainda.

FIGUEIREDO, Isabela, A Gorda, Lisboa, Editorial Caminho, 2016, p. 120.

Haiti, a impostura humana (p. 18)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 27/12/2017

Em 12 de Janeiro de 2010, um tremor de terra de magnitude 7 atingiu o Haiti, fazendo mais de 200 mil mortos e 1,5 milhões de desalojados. O impulso mundial de solidariedade ligado à pressão mediática traduziu-se numa torrente de organizações humanitárias, que transformou o Haiti na «república das ONG». Mas o essencial dos 10 mil milhões de dólares (cerca de 7,2 mil milhões de euros) prometidos nunca chegou: o montante misturava empréstimos, somas já orçamentadas, anulações de dívidas e promessas de donativos (nem sempre mantidas). A ajuda transformou-se num mercado.

Frédéric Thomas em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 121 | II série | Novembro de 2016)

versão XLII

Posted in versões/covers by Paulo S. on 19/12/2017

música
Nina Simone – Wild is the Wind (original de Johnny Mathis)

 

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 13/12/2017

Na Idade Média não se pensava forçosamente que o centro do mundo fosse um lugar bom. A Terra estava no centro do mundo mas o centro da Terra, para certa tendência religiosa, era o pior lugar do mundo, era lá que estava localizado o Inferno.
A Terra é feita de terra. De terra dos vasos.

LOPES, Adília, Bandolim, Porto, Assírio & Alvim, 2016, pp. 174-175.