do Gr. photós + páthos

Posted in diálogos by Paulo S. on 22/04/2017

colagem para projecto de Fernando Machado Silva que não chegou a concretizar-se (31 de Janeiro de 2012)
[aspas desenhadas digitalmente por Ariana Couvinha]

Posted in filosofia by Paulo S. on 15/04/2017

Velocidades que chegam à imobilidade.

COCTEAU, Jean, Opium (1930), Ópio, Trad. Miguel Serras Pereira, Lisboa, Difel, 1984, p. 41.

Caderno azul n.º 10

Posted in diálogos by Paulo S. on 04/04/2017

Era uma vez um homem ruivo que não tinha olhos nem orelhas.

Também não tinha cabelo, chamavam-lhe ruivo por mera convenção.

Não falava porque não tinha boca. Também não tinha nariz.

Nem sequer tinha braços ou pernas. Não tinha estômago, não tinha costas, não tinha coluna, e também não tinha vísceras. Não tinha mesmo nada! Por isso não podemos saber de quem estamos a falar.

Diria mesmo que é melhor não acrescentarmos mais nada a seu respeito.

KHARMS, Daniil, Três Horas Esquerdas (2001), Trad. Júlio Henriques, Porto, FLOP, 2017, p. 41.

Saúde, eficiência e direito à energia: pistas para uma mobilização (p. 7)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 30/03/2017

A definição inglesa de pobreza energética abrange famílias com altas «despesas teóricas», isto é, que teriam de gastar mais de 10% dos seus rendimentos para atingir os níveis de conforto definidos pela OMS. Estudos actuais colocam 92%  das famílias portuguesas em situação de pobreza energética, segundo esta definição.

Lise Desvallées em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 112 | II série | Fevereiro de 2016)

libertar o futuro / deixar a vida

Posted in aos pares by Paulo S. on 21/03/2017

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 14/03/2017

Um dos temas mais profundos do livro de Foucault é o que consiste na substituição desta oposição, demasiado grosseira, lei-ilegalidade, por uma correlação, fina, ilegalismos-leis. A lei é sempre uma composição de ilegalismos que ela diferencia formalizando-os. Basta que se considere o direito das sociedades comerciais para ver que as leis não se opõem globalmente à ilegalidade, mas que umas organizam explicitamente o meio de tornear as outras. A lei é uma gestão de ilegalismos, uns que ela permite, torna possíveis ou inventa como privilégio da classe dominante; outros que ela tolera como compensação das classes dominadas, ou mesmo que ela põe ao serviço da classe dominante; outros, enfim, que ela interdita, isola e toma como objecto — mas também como meio — de dominação.

DELEUZE, Gilles, Foucault (1986), Foucault, 2ª edição, Trad. José Carlos Rodrigues, Lisboa, Vega, 1998, pp. 52-53.

caderno 16 II

Posted in cadernos by Paulo S. on 03/03/2017

A caminho de um estado de excepção permanente (p. 22)

Posted in Le Monde diplomatique by Paulo S. on 26/02/2017

Nice, 19 de Novembro de 2015, 4h30 da manhã. Homens de uma unidade de elite da polícia fazem explodir a porta do apartamento de um casal de tunisinos; os estilhaços ferem na cabeça e no pescoço a sua filha de 6 anos de idade. Os homens abandonam o lugar de mãos a abanar: enganaram-se no endereço. Em 21 de Novembro, às 20h30, em Saint-Ouen-l’Aumône, um grupo de polícias com farda de intervenção invade a sala do restaurante halal Pepper Grill. Ordenam aos clientes que estão a jantar tranquilamente que coloquem as mãos em cima das mesas. Na cave, os polícias forçam as portas diante do patrão que lhes sugere, em vão, que usem a maçaneta. Em 22 de Novembro, pouco antes da meia-noite, em Seine-Saint-Denis, a polícia arromba a porta de um homem convertido ao islamismo, que usa barba, devassa-lhe o apartamento e parte sem qualquer explicação.

No dia 24, em Dorgogne, de madrugada, fizeram uma perseguição a um casal de agricultores biológicos libertários, suspeitos por terem participado há três anos numa manifestação contra o projecto do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes. O acórdão indica que «há sérias razões para pensar que podem encontrar-se nos locais pessoas, armas ou objectos susceptíveis de estar ligados a actividades relacionadas com o terrorismo». A 8 de Dezembro, o ministro do Interior, reconhecendo que foi um «equívoco» revoga o acórdão que mantinha em prisão domiciliária um pai de família desde 15 de Novembro: denunciado por motivos fantasiosos pelo seu antigo empregador, director de uma estação de tratamento de águas em AIx-en-Provence, o homem tinha de se apresentar quatro vezes por dia no comissariado. «Quem é este barbudo?», inquietaram-se os polícias durante as buscas, perante uma gravura representando… Leonardo da Vinci.

Jean-Jacques Gandini em Le Monde diplomatique – edição portuguesa (nº 111 | II série | Janeiro de 2016)

sobre o contrato social / a família

Posted in aos pares by Paulo S. on 21/02/2017

Posted in filosofia, livros emprestados by Paulo S. on 12/02/2017

Tudo o que isto sugere e que os conservadores de hoje não são mesmo conservadores. Apesar de apoiarem incondicionalmente a autorrevolução contínua do capitalismo, querem apenas que este se torne mais eficiente, suplementando-o com algumas instituições tradicionais (a religião, por exemplo) de modo que se reduzam as suas consequências negativas na vida social e se mantenha a coesão social. Actualmente, um verdadeiro conservador e aquele que admite sem reservas os antagonismos e becos sem saída dos capitalismos globais, aquele que recusa o simples progressismo e que está atento à face negativa do progresso. Neste sentido, actualmente, só um radical de esquerda pode ser um verdadeiro conservador.

ZIZEK, Slavoj, Trouble in Paradise (2014), Problemas no Paraíso — o comunismo depois do fim da história, Trad. C. Santos, Lisboa, Bertrand Editora, 2015, p. 34.