o Rei no seu reinado final
ao vivo no “International Hotel” em Las Vegas, 1970
Em criança algo me fascinava neste vídeo, ainda agora gosto de o ver e rever. Havia algo neste vídeo que se destacava e se diferenciava dos outros vídeos que davam na altura. É preciso lembrar que este vídeo é realizado durante 1970, e eu devo tê-lo visto pela primeira vez em 1985/6 (vou arriscar nesta data).
Basicamente eram os pormenores técnicos que me seduzia o olhar, os planos no meio da multidão para me fazer sentir parte da assistência, como um ter estado lá. Certos enquadramentos muito “fílmicos” e não tanto de “teledisco”. Breves planos a captar os sentimentos e manifestações das pessoas. O cuidado com a iluminação, etc. Hoje sei que este vídeo faz parte dum documentário de Denis Sanders com o nome de That’s the way it is.
Mesmo dizendo que ele nos seus espectáculos em Las Vegas se tinha tornado um Liberace, continuava a ser o rei. O promíscuo nos seus movimentos sexuados (a sua alcunha de “Elvis the pelvis” tinha o seu significado) dando ideias às jovens meninas que o poderiam ver ao vivo (histéricas) ou em aparições em programas de televisão. Em Las Vegas já não havia histeria alguma, as meninas deixaram de ser meninas, os sonhos deixaram de ser sonhos, e as ideias que Elvis propagava nos seus movimentos já não tinham alvo, a sua perícia física para efectuar tais movimentos era vista agora como acto de circo ou como parte de um movimento cultural histórico passado, sem qualquer efeito -o promíscuo- nas pessoas.
É sabido que ser artista residente em qualquer casino ou hotel de Las Vegas é uma sentença de morte na carreira (exemplos mais recentes são os de Cher, Prince, Celine Dion, etc.). Actuar todos os dias no mesmo casino/hotel é saber que a sua morte está lá, a cantar com ele no palco, e mesmo assim continua-se a cantar.
Eu vejo isto como uma pequena tragédia grega (se é que posso fazer esta definição diminutiva).
nota: antes deste documentário já Elvis em 1969 tinha estado com uma série de espectáculos no mesmo local, no “International Hotel”.
queria dizer mais mas agora não consigo
na casa de banho do departamento de filosofia da Universidade de Liège (Novembro de 2007)

fotografia tirada por mim desenho por um italiano, acho eu
há uma tendência, da parte dele, em endireitar as cabeças; mas o olhar, a “mirada”, ficou por desenhar.
Banksy

Napalm (Artist’s Proof), Banksy, Screenprint on paper (50 x 70 cm), The Andipa Gallery, London, 2004
Pedro Ferreira
ao vivo na S.O.I.R. Joaquim António de Aguiar, Évora, 23 de Julho de 2005.
Conheces a transformação fantástica? Sabes contá-la? Sabes porque me cubro de trevas? Sabes porque oiço a música celestial repetidamente? Será o adiamento? O sentido extremamente esperançoso que a mão eterna que atravessa mesas em busca de copos não pare de repente após a imprevisão.
Só a reprodução ou a seda despojada de uma ideia de entretenimento ou beleza. Só a seda ou a reprodução. Serei eu um filho fabricador de pais? Pertenceremos nós, os que vivemos, ao mesmo a que pertencem os mortos? Porque morrem. E porque morrem os vivos quando acordam da vida?
E a seda escorre salivarmente, e cria um rio onde como uma cama os barcos navegam em fila, e os pais observam os filhos e os filhos transformados em pais observam-se a si próprios e aos seus filhos que se observam a si próprios e se transformam em pais observadores de filhos que se transformam, que navegam sobre as águas, que nascem e morrem repetidamente, e nascem e morrem sobre as águas como pais e filhos, transformando-se. E deixam de morrer porque nascem filhos com pais intrínsecos que se transformam.
Eu estilhaçarei o meu corpo sob um corpo viúvo.
Eu estilhaçarei o meu corpo sob um manto de seda.
E a seguir eu cuspirei a saliva que engoli em forma de outra coisa.
E a saliva vomitarei desde as unhas dos pés até às unhas das mãos, finalizando nos dentes e no cabelo.
E a saliva escorrerá como luz durante vários dias seguidos até estar totalmente dura como o vidro e eu lá dentro afogado.
E nesse instante haverá silêncio - o momento quase solene da última claridade.
sobre o academismo
“[...] mas essa é uma puta que não quer levar no cu, o academismo é isso. Serem putas mas finas. Eu sou puta mas não me posso dar ao luxo de dizer não àquele que paga para me foder e decide que me quer ir ao cu.”, numa conversa com Rui Alberto (só ele sabe quem é “essa” puta).
com Enrique Vila-Matas
Como gosto desta descobertas tardias! Está a tornar-se o meu autor favorito.
Agora anda sempre comigo: París se acaba nunca, Barcelona, Editorial Anagrama, 2007 (2ª Edición).

(não sei quem é o autor desta fotografia)
2ptico
quinta-feira, 21 de Julho de 2007: descobri agora passado um par de meses, ao rever uma das primeiras folhas do Pena Capital, o porquê de ter tirado o auto-retrato.

1. Mário Cesariny fotografado por Nuno Félix da Costa, Londres, 1986
2. Paulo Serra, auto-retrato, Évora, 2007
a minha geração
não toda. não na sua totalidade. por partes. um dia vou pegar em todos os negativos e fazer algo deles, dar-lhes atenção. mas isso é um dia. agora. foi isto que encontrei:

ensaio dos The Rose Buttons na casa do João, Évora, verão de 2005

numa casa perto da Praça da Alegria, Lisboa, Dezembro de 2006

tarde passada na Fabrica Features, Lisboa, Agosto de 2006

jantar num quintal do Bacelo, Évora, fim do verão de 2006

acordar e por baixo vivem ciganos, Coimbra, Março de 2007

memórias no Jardim Público, Évora, primavera de 2005

uma tarde no tanque, numa quinta perto do Escoural, Julho de 2006

coração de neve, Évora, Janeiro de 2006

07h50m na Picada, Évora, 1 de Janeiro de 2006

levantar deitar levantar na “49 on 31″, Porto, 30 de Dezembro de 2006
quem faz o quê?
este “belogue” faz 1 ano que está on-line, ou, em linha.
«cada dia me parece um degrau descido a mais»
«Eu sinto sempre o que escrevo.
Posso muita vez não sentir nem pensar o que digo, mas o que escrevo, sinto-o sempre, e sempre o penso.»
Excerto de uma carta de Ângelo de Lima dirigida à sua mãe.