queria dizer mais mas agora não consigo
na casa de banho do departamento de filosofia da Universidade de Liège (Novembro de 2007)

fotografia tirada por mim desenho por um italiano, acho eu
há uma tendência, da parte dele, em endireitar as cabeças; mas o olhar, a “mirada”, ficou por desenhar.
Banksy

Napalm (Artist’s Proof), Banksy, Screenprint on paper (50 x 70 cm), The Andipa Gallery, London, 2004
Pedro Ferreira
ao vivo na S.O.I.R. Joaquim António de Aguiar, Évora, 23 de Julho de 2005.
Conheces a transformação fantástica? Sabes contá-la? Sabes porque me cubro de trevas? Sabes porque oiço a música celestial repetidamente? Será o adiamento? O sentido extremamente esperançoso que a mão eterna que atravessa mesas em busca de copos não pare de repente após a imprevisão.
Só a reprodução ou a seda despojada de uma ideia de entretenimento ou beleza. Só a seda ou a reprodução. Serei eu um filho fabricador de pais? Pertenceremos nós, os que vivemos, ao mesmo a que pertencem os mortos? Porque morrem. E porque morrem os vivos quando acordam da vida?
E a seda escorre salivarmente, e cria um rio onde como uma cama os barcos navegam em fila, e os pais observam os filhos e os filhos transformados em pais observam-se a si próprios e aos seus filhos que se observam a si próprios e se transformam em pais observadores de filhos que se transformam, que navegam sobre as águas, que nascem e morrem repetidamente, e nascem e morrem sobre as águas como pais e filhos, transformando-se. E deixam de morrer porque nascem filhos com pais intrínsecos que se transformam.
Eu estilhaçarei o meu corpo sob um corpo viúvo.
Eu estilhaçarei o meu corpo sob um manto de seda.
E a seguir eu cuspirei a saliva que engoli em forma de outra coisa.
E a saliva vomitarei desde as unhas dos pés até às unhas das mãos, finalizando nos dentes e no cabelo.
E a saliva escorrerá como luz durante vários dias seguidos até estar totalmente dura como o vidro e eu lá dentro afogado.
E nesse instante haverá silêncio - o momento quase solene da última claridade.
sobre o academismo
“[...] mas essa é uma puta que não quer levar no cu, o academismo é isso. Serem putas mas finas. Eu sou puta mas não me posso dar ao luxo de dizer não àquele que paga para me foder e decide que me quer ir ao cu.”, numa conversa com Rui Alberto (só ele sabe quem é “essa” puta).
com Enrique Vila-Matas
Como gosto desta descobertas tardias! Está a tornar-se o meu autor favorito.
Agora anda sempre comigo: París se acaba nunca, Barcelona, Editorial Anagrama, 2007 (2ª Edición).

(não sei quem é o autor desta fotografia)
2ptico
quinta-feira, 21 de Julho de 2007: descobri agora passado um par de meses, ao rever uma das primeiras folhas do Pena Capital, o porquê de ter tirado o auto-retrato.

1. Mário Cesariny fotografado por Nuno Félix da Costa, Londres, 1986
2. Paulo Serra, auto-retrato, Évora, 2007
a minha geração
não toda. não na sua totalidade. por partes. um dia vou pegar em todos os negativos e fazer algo deles, dar-lhes atenção. mas isso é um dia. agora. foi isto que encontrei:

ensaio dos The Rose Buttons na casa do João, Évora, verão de 2005

numa casa perto da Praça da Alegria, Lisboa, Dezembro de 2006

tarde passada na Fabrica Features, Lisboa, Agosto de 2006

jantar num quintal do Bacelo, Évora, fim do verão de 2006

acordar e por baixo vivem ciganos, Coimbra, Março de 2007

memórias no Jardim Público, Évora, primavera de 2005

uma tarde no tanque, numa quinta perto do Escoural, Julho de 2006

coração de neve, Évora, Janeiro de 2006

07h50m na Picada, Évora, 1 de Janeiro de 2006

levantar deitar levantar na “49 on 31″, Porto, 30 de Dezembro de 2006
quem faz o quê?
este “belogue” faz 1 ano que está on-line, ou, em linha.
«cada dia me parece um degrau descido a mais»
«Eu sinto sempre o que escrevo.
Posso muita vez não sentir nem pensar o que digo, mas o que escrevo, sinto-o sempre, e sempre o penso.»
Excerto de uma carta de Ângelo de Lima dirigida à sua mãe.
on the Matrix
This is cinematic art at its purest.
«This is your last chance. After this there is no turning back.
You take the blue pill, the story ends. You wake up in your bed and believe whatever you want to believe.
You take the red pill, you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes.»

But the choice between the blue and the red pill is not really a choice between illusion and reality. Of course, the matrix is a machine for fictions, but these are fictions which already structure our reality. If you take away from our reality the symbolic fictions that regulate it, you lose reality itself.
I want a third pill. So what is the third pill?
Definitely not some kind of transcendental pill which enables a fake, fast-food religious experience, but a pill that would enable me to perceive not the reality behind the illusion but the reality in illusion itself.
If something gets too traumatic, too violent, even too filled with enjoyment, it shatters the coordinates of our reality. We have to fictionalise it.
Slavoj Žižek em The perverst’s guide to cinema
