praza #02
O segundo número da praza já está na rua. Continua a ser uma das publicações periódicas que mais gosto. Vai muito de encontro com o que tento fazer com a entre o vivo, o não-vivo e o morto, mas no campo da fotografia (que é um campo onde me movo e me gosto de mover), e o grafismo meio “jornalesco” apraz-me. Sendo cada número temático, o #2 é sobre “Anónimos”. No começo do editorial, Vítor Boura Xavier (o director da praza) diz:
Não existe fotografia sem alguma coisa ou alguém, mesmo que esse alguém esteja desprovido de personagens ou representações. O anónimo, carregado de signos que se alteram como o leito de um rio, é sempre alguém que não vemos.

Jorge Molder sobre branco

Chamei-lhe Pinocchio porque tem a ver com dois temas: um, a progressão do estado da memória, da matéria e da morte. O outro é o que significam os sentimentos [...]

O meu trabalho tem a ver com o fingimento.

No fundo, talvez seja a questão que também me coloco a mim próprio: o branco será mais assustador que o negro?

O que me interessa são as transições e a carga afectiva.
Jorge Molder em entrevista sobre a sua nova série Pinocchio em exposição no Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 (Lisboa); CUNHA, Sílvia Souto, “Noites brancas”, Visão (nº846).
Mike Tyson
Para além da pessoa/personagem, os feitos (dentro e fora do ringue), a imagem, os mitos. Para além disso tudo, o que realça na minha memória é esta frase:
I’ll fuck you ’till you love me, faggot!!
Mike Tyson dirigindo-se para um jornalista, no final da conferência de imprensa de apresentação dos dois lutadores (Lennox Lewis vs. Mike Tyson) para o Campeonato do Mundo de Pesos-pesados, em Nova-Iorque a 22 de Janeiro de 2002.
Temos Žižek à portuguesa? Não, mas já é alguma coisa.
Experimentem tirar o som aos dois – eu já experimentei – e vejam a mímica e a expressão de cada um. Sócrates tem uma expressão corporal – o dedo está sempre apontado – que mostra como ele é um indivíduo fortemente emocional, com o claro predomínio de sentimentos de conflito e de agressividade. Cavaco praticamente não se mexe, não faz gestos, o riso é sempre difícil, há uma autocontenção muito forte. Tudo isto, num e no outro, é da ordem do sintoma.
Sobre Cavaco Silva:
O Presidente da República é claramente uma personalidade obsessiva, marcada pelo isolamento das emoções e a distancia. O contacto dele é de defesa emocional em que raramente deixa transparecer um emoção.
[...]
criou o mito do politico antipolítico, ele próprio faz questão de afirmar aos portugueses que até ganhou as eleições no Congresso do PSD na Figueira da Foz porque foi estrear o carro… Isto marco o seu estilo, cuidadosa e milimetricamente calculado.
Sobre José Sócrates:
Sócrates é mais fácil de perceber. Até a própria escolha do nome – Cavaco é o Sr. Silva; Sócrates excluiu o nome do pai e da mãe – só esse simples exercício é da ordem do sintoma: ele é ele, o nome do pai e o nome da mãe não fazem parte do seu nome oficial.
Sobre Manuela Ferreira Leite:
Manuela Ferreira Leite nunca descolou do mundo no qual ela própria foi criada, o que também se reflecte na maneira como olha para a área social – com algumas gafes, como o casamento ser para reprodução ou a ideia de um intervalo na democracia…
Carlos Amaral Dias em entrevista na “Revista Única”, Expresso (#1906), 9 de Maio de 2009.
ter um estilo é não poder fugir dele
A Marta quer fazer uma t-shirt com esta frase, diz-me que tem citado muito esta frase e que já merecia t-shirt. Será que vai haver t-shirt?
por Marta Teixeira da Silva (mais conhecida como Marta de Macau)
ter um estilo é não poder fugir dele é o título de um conjunto de escritos que vou coleccionando/adicionando desde 2006, que inclui cartas (uma delas é carta aberta, já aqui publicada) e o resto são textos em tom auto-biográficos. A particularidade deste conjunto é a de todos os textos serem escritos num dia ou em dias (no máximo em 3 dias). Aqui vai um pequeno índice:
1. Eles queriam uma família (enquanto) eu queria uma geração: eu desacreditado/curto ensaio desacreditado (2 e 31 de janeiro de 2007)
2. Carta ao Nando (3 de Novembro de 2006)
3. Ipod’s, em quatro patas numa espiral sem fim: Ensaio breve sobre o materialismo (4 de Outubro de 2006)
4. negra lama: Ensaio cada vez mais autobiográfico (28, 30 e 31 de Março de 2008)
4.1 Carta aberta ao Chovem Projectos (28 de Agosto de 2007)
5. por dentro sinto-me uma mulher africana: entre a passividade e a livre prisão de expressão (24, 26 e 28 de Maio de 2008)

O Rui Alberto pediu-me para lhe tirar uma fotografia, ele precisava de enviar para a Turquia. Para o projecto Cümle Frase (http://cumlefrase.blogspot.com/), uma “Folha Mensal de Poesia” (http://cumlefrase.blogspot.com/2008/12/cmle-frase.html; onde se pode ver os seus objectivos). Ele não me disse como gostaria de ficar, eu dei-lhe as indicações – ele cumpriu- e saiu isto. Era para definir o “ar” dele na fotografia, mas desisti.
(fotografia tirada a 30 de Abril de 2009)
«I want to give you my milk…»
Uma nova versão (alargada) da música “Milk” do álbum Noah’s Ark
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