do Gr. photós + páthos

assim foi no passado, 2 de Junho

Publicado em Filosofia by Paulo Serra em Junho 21st, 2007

Apresentação do livro Parabola Abyssus na Biblioteca Pública de Évora. Fotografias de João Simas, sem ele não havia apresentação.

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Admito agora que pensei em Andrew Bird e no que ia dizer a seguir, pois não tinha nada pensado (coisa a não repetir).

Foi também neste dia que foi apresentada oficialmente a “ideia” da antologia poética, organizada por o Rui Alberto e por mim.

«si la muerte»

Publicado em Filosofia by Paulo Serra em Junho 18th, 2007

vídeo em forma de áudio 

Poema de Miguel Huezo Mixco interpretado por Diamanda Galás

 

Si la muerte viene y pregunta por mi
haga el favor
de decirle que vuelva mañana
que todavia no he cancelado mis deudas
ni he terminado un poema
ni me he despedido de nadie
ni he ordenado mi ropa para el viaje
ni he llevado a su destino el encargo ajeno
ni he echado llave en mis gavetas
ni he dicho lo que debia decir a los amigos
ni he sentido el olor de la rosa que no ha nacido
ni he desenterrado mis raices
ni he escrito una carta pendiente
que si siquiera me he lavado las manos
ni he conocido un hijo
ni he empredido caminatas en paises desconocidos
ni conozco los siete velos del mar
ni la canción del marino
Si la muerte viniera
diga por favor que estoy entendido
y que me haga una espera
que no he dado a mi novia ni un beso de despedida
que no he repartido mi mano con las de mi familia
ni he desempolvado los libros
ni he silbado la canción preferida
ni me he reconciliado con los enemigos
digale que no he probado el suicidio
ni he visto libre a mi gente
digale si viene que vuelva mañana
que no es que le tema pero ni siquiera
he empezado a andar el camino

Peter Sutherland, de máquina no bolso

Publicado em Fotografia by Paulo Serra em Junho 15th, 2007

Maria

Publicado em Fotografia by Paulo Serra em Junho 12th, 2007

I saw the best minds of my generation…*

Publicado em Filosofia by Paulo Serra em Junho 11th, 2007

«Nesses anos de 1975/1976, com um grupo de amigos, escrevia literatura pelas paredes da cidade, citações do que nos ia na alma, sentenças dos nossos heróis mais secretos, mas, das dezenas de tiradas rabiscadas no escuro das noites, apenas uma conseguiu emergir por entre os grafittis políticos políticos que na época banalizavam a escrita mural - sem surpresa, tratava-se da frase que inicia a quinta estrofe do Canto Primeiro, “Fiz um pacto com a prostituição para semear a desordem nas famílias”. Foi um escândalo, com honras de invectivas nos jornais locais e tudo… Mais de cem anos depois a sombra de Maldoror ainda atemorizava os homens! Houve diferentes máximas sacadas aos Cantos, mas nenhuma outra obteve a força de choque que esta conseguiu.», p. 14

Adolfo Luxúria Canibal in Prefácio aos Cantos de Maldoror, Conde de Lautréamont

* Allen Ginsberg, Howl (1956)

Publicado em Filosofia by Paulo Serra em Junho 11th, 2007

«Não ter nunca ensejo de tomar posição, de me decidir e de me definir, não há voto que eu formule mais amiúde. Mas nem sempre dominamos os nossos humores, essas atitudes em germe, esses esboços de teoria. Visceralmente predispostos a erigir sistemas, construímo-los sem tréguas, singularmente em política, domínio de pseudo-problemas, em que o mau filósofo que existe em cada um de nós se dilata, domínio do qual gostaria de me afastar, por uma razão banal, uma evidência que aos meus olhos ascende à categoria de revelação: a política gira unicamente em torno do homem. Tendo perdido o gosto dos seres, em vão me consagro à tentativa de adquirir o das coisas; por força limitado ao intervalo que as separa, exercito-me e esgoto-me sobre a sua sombra.»

 CIORAN, E.M., Histoire et Utopie (1960), História e Utopia, Trad. Miguel Serras Pereira, Venda Nova, Bertrand Editora, 1994, p.37-38.

e quando a música exerce este poder sobre mim

Publicado em Filosofia, vídeo by Paulo Serra em Junho 9th, 2007

Angelite & Huun-Huur-Tu ,  fly, fly my sadness

 ao vivo a 11 de Maio de 2004

Um dos começos mais bonitos que já li num livro

Publicado em Filosofia by Paulo Serra em Junho 8th, 2007

«Se em tôrno do cadáver de Heliogabalo, morto sem sepultura, e degolado pela sua polícia nas latrinas do seu palácio, há uma intensa circulação de sangue e excrementos, em tôrno do seu berço há uma intensa circulação de esperma. Heliogabalo nasceu numa época em que toda a gente dormia com toda a gente e nunca se saberá onde nem por quem foi sua mãe realmente fecundada. Para um príncipe sírio como êle a descendência faz-se pela mãe – e, em matéria de mães, há em volta dêste filho de cocheiro, recém-nascido, uma plêiade de Júlias; e, utilizem ou não o trono, todas elas são putas rematadas.

O pai de todos, a fonte feminina dêste rio de estupros e infâmias, tinha de ser cocheiro de fiacre antes de ter sido sacerdote; só isso explica o afã com que Heliogabalo, uma vez chegado ao trono, quer ser enrabado por cocheiros.»

 

ARTAUD, Antonin, Heliogabale, ou L’Anarchiste Couronné (1967), Heliogabalo ou O Anarquista Coroado, Trad. Mário Cesariny, Lisboa, Assírio & Alvim, 1991, p.13.

 

por a Célia

Publicado em Filosofia, livros emprestados by Paulo Serra em Junho 4th, 2007

CAMPOS, Álvaro de, Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro, Lisboa, Editorial Estampa, 1997.

p. 51: “Comamos, bebamos e amemos (sem nos prender sentimentalmente à comida, à bebida e ao amor, pois isso traria mais tarde elementos de desconforto)”

“Nada: a paisagem, um copo de vinho, um pouco de amor sem amor, e a vaga tristeza de nada compreender e de ter que perder o pouco que nos é dado.”

p.62: “Um homem não é uma cara mas tem que ter uma cara para ser homem.”

por o Nuno

Publicado em Filosofia, livros emprestados by Paulo Serra em Junho 4th, 2007

Thomas Bernhard: “Uma pessoa que, por natureza, seja rouca durante toda a vida dificilmente poderá vir a ser um cantor de ópera. É assim em tudo”, p. 28, Em conversa com Thomas Bernhard, Kurt Hofmann.

Pois assim me sinto eu que, por natureza, não li nada durante toda a vida e agora quero ser filósofo. Entenda-se, ler e não viver. Deixar de ser eu para ser outra coisa, talvez. Desejos estranhos estes..

p. 60: “A sorte, creio eu, está tão distribuída como a infelicidade, toca a toda a gente. Sorte é uma coisa relativa. E até mesmo o perneta tem sorte, porque justamente ainda tem uma perna.”