por jogar esse jogo
[...] dizer algo que achamos de interesse também me torna triste. Triste por saber que sou aquele que obriga o outro a ouvir-me só para que esse outro diga o que quer dizer, só para que esse outro seja ouvido.
E sou aquele que quer dizer algo [...]
Paulo Serra
As técnicas secretas de Conrad Sims de isolamentos ou lugares isolados
- Como saber identificar tais sintomas? Quantos?
- Devo ajuda-lo se o vir deitado na rua numa quinta-feira à noite?
- E em relação ao recolher, que devo fazer?
- “Tudo tem resposta e assume a sua maneira de ser.”
Falando com o Senhor
Raios partam o Senhor!
- “Aprende a tocar um instrumento, algo que reproduza um som, uma sonoridade.”
- Continua a ser dele?
- “Sim, claro. A tudo lhe pertence.”
- Mas e o olhar?
Eu guardo todas as fotografias que me foram tiradas em criança
Aprendi a odiar cedo, muito cedo
- Que me podes adiantar acerca das técnicas de envergonhamento e não ser envergonhado?
Falando com o Senhor
Paulo Serra, 2005
«As minhas duas bebés acordaram de meia em meia hora; choravam, pediam coisas sem falar porque não falavam, ainda não têm palavras, são bebés. E o corpo do pai e da mãe, a meio da noite, sentia-se cair, de fraqueza, sem conseguir dormir, com um cansaço tremendo, parecia que as nossas filhas nos torturavam. Passa pela cabeça, é um momento mínimo, menos que um segundo, mas vem por vezes um pensamento de ódio, e é isto o cansaço, é aqui que ele pode chegar.
É preciso ter medo dos homens e das mulheres cansadas. E a cidade é rápida de mais, empurra-nos para o nosso corpo pior (de entre os vários possíveis).»
TAVARES, Gonçalo M., água, cão, cavalo, cabeça, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, p. 54.
Cassidy Cassidy (14 de Abril de 2007)
e quando uma banda faz de uma música feia algo de bonito
versão da Turn Me On do Kevin Lyttle
irmãos Frota
para o fenómeno David “digital” Lynch, muitas folhas de jornal li eu 6ª-feira

stillframe de Paulo Serra
Houdini Blues ao vivo na S.H.E. a 25 de Março de 2005
Maki Miyashita
Tom Wood e o ímpar do humano
Liv Carlé Mortensen
Série de fotografias Private showroom






A rudez das imagens e a exploração do eu (que eu penso não ser possível fazer-se sozinho). Mas que estética?
[a disposição das fotografias foi minha e não pedi autorização para usar as fotografias à autora]
(as) idiopatias do amor [fragmentos]
p.3: «Kim-Diêu disse que “tudo é sagrado”, tudo menos ela, digo eu. Tudo é amor, a guerra está cheia de amor [...]»
p.5: «[...] isto é, tu amas/apaixonas-te por uma mulher (ou homem, ou animal, ou coisa) por muitas coisas inclusive pelas suas características. Com o passar dos anos, tu muda-la, ou fá-la mudar – reacção contra reacção – começam-se a entender alterando mutuamente as suas características. Passados uns anos, tu continuas apaixonado mas o corpo já não é o mesmo, as características mudaram, umas por tua culpa, outras foram naturalmente alteradas (as alterações fisiológicas diárias).»
p.6: «E algum apaixonado (ao ler isto que acabei de escrever) estará a perguntar-se, e eu? O que estou a viver com a minha amada é o quê?»
p.8: «Defendo pois que o amor existe somente nas barreiras do pensamento/imaginação e fora dele/a existem/permanecem apenas tentativas. Tentativas frustradas que existem há séculos, segundo a história. Então acredito que o amor de Romeu e Julieta existiu mesmo? Sim acredito, ou melhor, acredito que esse amor existiu mas apenas no pensamento de Shakespeare, se foi ele mesmo que o (amor) pensou. Dito isto, o amor de Romeu e Julieta acabou no momento em que começou a ser escrito.»
p.10: «Na esperança de rebentar, mantenho-me. Para uns é a noite, para outros tantos as tardes, para poucos é a manhã.»
p.12: «O porquê do não-amar?»
p.18: «[...] sexo é sexo, não é amor. A prática livre, poderá ser uma aproximação ao amor, ao caminho do amor. Sem pré-conceitos alguns.»
pp. 21-22: «o beijo como símbolo (cinematográfico, publicitário, etc.) do amor na maioria das sociedades é algo que resulta do que essas mesmas sociedades são e do que se afastam.» [a questão da alienação; provocada fora do campo do amor]
p.25: «[...] a busca de um outro quando o mal está em si-mesmo e não o vai mudar – irá mudar somente o outro.»
p.28: «“Amor não é necessidade.” (optei por não referir o autor)»
p.30: «Amor não é alívio, nem resposta a qualquer trauma, vida ou dor.»
pp. 31-32: «[...] do nada que é tudo e do tudo que é um pouco do nada. O que resta é o espaço, na diferença.»
p.32: «Uma pessoa dá-me inúmeras paixões, aquelas que os meus olhos a vejam.»
p.35: «[...] em 5 anos 5 amores, talvez 50.»
in (as) idiopatias do amor, ©Paulo Serra
Ginsberg ao vivo em Londres
E quando algumas coisas nunca foram datadas…
Allen Ginsberg, Hum Bom! no Heaven nightclub, em Londres, 19 de Outubro de 1995



