geração XIX
Sure, you’ve got a handle on the past
It’s why you keep your little lovers in your lap
Give a little more than you like
Pick apart the past, you’re not going back
So don’t you waste your time
No, oh, oh, oh
Beach House em Gila

fotografias tiradas pelo nando (2006)
Durante uma das últimas sessões fotográficas para a série “my friends wear different faces but the same dress”, com Luis Furtado; podem ver as fotografias que formam esta série aqui: http://pontosdevista.net/photosi.php?id=268
como começar uma entrevista? ouvindo a pergunta e respondendo a ela
Jornalista: Mr. Gore Vidal, nice to see you [aperto de mãos]. How are things?
Gore Vidal: Things fall apart, is what things do, and we are things.
Fotografia de Martin Godwin
retrospectiva semestral 2009
livros lidos: 20 | livros lidos aquiridos em 2009: 8 (dos 28 livros adquiridos em 2009)
lidos na língua original: 7 | traduções: 13
autores nacionais: 7
cinema: 32
televisão/dvd: 16 (+ 13 curtas-metragens da pré-selecção FIKE 2009)
concertos: 8
teatro: 8
outros:
3 exposições de fotografia
3 performances
1 palestra
(Estes são os números deste primeiro semestre; números são números, servem para isso mesmo: para assustar)
livros adquiridos em 2009 (primeiro semestre)

1. TAVARES, Gonçalo M., Aprender a rezar na Era da Técnica *
2. DAUDET, Alphonse, Sapho – Costumes de Paris *
3. COMTE, Augusto, Importância da Filosofia Positivista *
4. ASSIS, Machado de, Memórias Póstumas de Brás Cubas (8€)
5. GAVIRIA, Ricardo Cano, O Passageiro Walter Benjamin *
6. MARQUES, Pedro Neves, Arte e Vida, ou Arte, ou Vida, Simplesmente (2,50€)
7. CASANOVA, Rogério, Pastoral Portuguesa (12,96€)
8. SILVA, Mariana e MARQUES, Pedro N., O desenho de fuga (3€)
9. BARNOUW, Erik, Documentary: A History of the Non-Fiction Film (4€)
10. GEADA, Eduardo, O Imperialismo e o Fascismo no Cinema (3€)
11. HEMINGWAY, Ernest, Por Quem os Sinos Dobram (3€)
12. HEMINGWAY, Ernest, Paris é uma festa (3€)
13. ORWELL, George, Nineteen Eighty-Four (2€)
14. MARX, Karl, Contribuição para a Crítica da Economia Política (3€)
15. BAILLY, Jean-Christophe, Uma Noite na Biblioteca (9€)
16. BOLAÑO, Roberto, Entre paréntesis (9,50€)
17. VILA-MATAS, Enrique, El viajero más lento (11,42€)
18. VILA-MATAS, Enrique, Historia abreviada de la literatura portátil (6€)
19. MIGUEL-MANSO, Quando Escreve Descalça-se (9€)
20. TAVARES, Rui, O Fiasco do Milénio (12,50€)
21. PYNCHON, Thomas, V. (4€)
22. GIL, José, Em Busca da Identidade (10,50€)
23. OVÍDIO, Arte de Amar (5,40€)
24. EPICURO/SÉNECA, Carta sobre a Felicidade/Da Vida Feliz (4,49€)
25. CAMUS, Albert, A Queda (3€)
26. CAMUS, Albert, A Peste (3€)
27. MOLDER, Jorge, Pinocchio (catálogo) *
28. MISHIMA, Yukio, Confissões de uma Máscara (8,90€)
*oferecido
Total= 141,17€ (± 25€ em despesas)
livros comprados: 23 | livros oferecidos: 5
língua original: 15 | traduções: 13
livros novos: 17 | livros usados: 11
editados em 2009: 5
assinados pelo autor: 1
“o que sentes quando és fotografado”
Não gosto que me tirem fotografias. Não tiro as típicas fotografias de férias porque não são elas que vão provar que lá estive. Não gosto que a máquina fotográfica se transforme em metralhadora com munições que não parecem ter fim, e que não me deixam jantar descansado ou não me deixam ver um concerto para o qual paguei. O lúdico, neste caso, cria-me mal-estar, desconforto.
Não gosto que me tirem fotografias, mas aos meus amigos permito todos os seus pedidos, e a fotografia torna-se outra.
Sinto-me outro quando me tiram uma fotografia. Sou outro quando me vejo retratado – sou eu a ver mas vejo-me outro. Sou mentira. Que poderia ser eu mas opto por não ser. É a possibilidade que se transforma em aviso. Mas opto sempre por ser outro que não eu.
O que sinto? Dito isto, pouco.
Dezembro de 2008, resposta a um questionário para a tese de mestrado do Pedro do Ó
Sobre a exposição e leitura do catálogo da exposição Pinocchio de Jorge Molder:
onde dizem máscara eu digo estátua/escultura. fotografia da escultura de si-próprio (e moldes).
E era na luta, na mestria dos saberes e na inventividade das obras que cada um se afirmava ao lado dos outros (e não: «era avaliado por comparação com os outros»). Hoje, a avaliação substitui a identidade e a luta. Quando passar, a crise global, longe de mostrar aos decisores [da «(des)ordem mundial»] que o crescimento do capitalismo global leva à devastação do planeta, pondo em perigo a existência da própria humanidade, vai impor «mais modernização» (mas regulada), mais «avaliação» (mas direccionada), mais racionalização dos processos económicos e financeiros, mas também dos que incidem directamente dobre a vida doas pessoas (educação, saúde, emprego).
GIL, José, Em Busca da Identidade – o desnorte, Lisboa, Relógio D’Água, 2009, p. 56.
latente no amor, patente na cidade
Leitura sobre a série the only cure for love is…
I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked, [1]
Tivemos o mundo, fomos o mundo… [2]
Na formação de um grupo, colectivo, movimento, geração, o passo inicial – para se poder formar –, é o da inclusão, que de imediato cria o passo seguinte: o da exclusão. Apesar de considerar a Tamara Alves minha amiga, escrevo(-lhe) do lado dos excluídos.
Há uma tendência física e temporal para abordar uma geração: de fora para dentro e falando dela num pretérito passado, como se só existisse para ser contada (das várias formas possíveis, nos vários suportes possíveis).
A fórmula é simples na sua concepção: the only cure for love is… love, na sua concretização o processo complica-se (ao ponto de se tornar utópico). A ideia de amor vai-se alterando de época para época, de pessoa para pessoa, de país para país. Nos dias de hoje, já seria de esperar que esta fórmula desse resultados, não em termos globais – já desistimos há muito desse projecto – mas nas pessoas que nos rodeiam mais. Pois se ainda não te apercebeste (falo contigo, tu que me estás a ler), os amigos da Tamara que são retratados aqui, são os teus amigos; a sua geração é a tua geração. Projecta à vontade, é para isso também que a arte serve. Se nos ficarmos pela observação, pela análise fixa, então não passamos para a outra dimensão de liberdade que a arte pode proporcionar e que nos proporciona. Ou pegando nas palavras da artista, «Estes signos não fecham uma realidade, abrem possibilidades.».
David Hume (1711-1776) disse que o espírito progride em contacto com o meio urbano. O meio urbano de Hume não é o meio urbano de Tamara. Mas esta progressão de que Hume fala, talvez ainda sobreviva nas vivências de uma qualquer Tamara na cidade; a cidade exige uma pré-disposição para a competição, isto, por exemplo, estava presente no séc. XVIII e está mais que presente no séc. XXI. A artista coloca a cidade como sustentáculo desta série, cidade como garantia de vivências de uma exclusividade própria. «[...] lugar de actividade contínua, rotineira ou impulsiva, que apresenta a maior concentração de actos humanos, intensa, frenética, excitante, e de um lugar de encontro da arte com o público directamente.»; falta nomear uma condição que se transforma em condicionante: a superficialidade – enunciadora de uma sociedade pós-moderna, ou um princípio do hiper-individualismo lipovetskyiano.
O espírito artístico de Tamara evolui com esse contacto, assumidamente evolui para este caminho onde the only cure for love is… love.
[1] GINSBERG, Allen, Collected Poems 1947-1997 (2006), New York, HarperCollins, 2007, p.134. [negrito meu]
[2] Gumes (parte 8), Mão Morta, “Nus”, Cobra Discos, 2004.
Nota: Exposição composta por nove quadros, dois murais e uma instalação-vídeo. Visionamento da exposição na sede do CEPiA a 3 de Dezembro de 2008.

fotografias tiradas por Tamara Alves
o blog: tamaralves.blogspot.com
praza #2
O segundo número da praza já está na rua. Continua a ser uma das publicações periódicas que mais gosto. Vai muito de encontro com o que tento fazer com a entre o vivo, o não-vivo e o morto, mas no campo da fotografia (que é um campo onde me movo e me gosto de mover), e o grafismo meio “jornalesco” apraz-me. Sendo cada número temático, o #2 é sobre “Anónimos”. No começo do editorial, Vítor Boura Xavier (o director da praza) diz:
Não existe fotografia sem alguma coisa ou alguém, mesmo que esse alguém esteja desprovido de personagens ou representações. O anónimo, carregado de signos que se alteram como o leito de um rio, é sempre alguém que não vemos.
